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Resenha: Helena

11.2.20

"Helena" foi o terceiro romance escrito por Machado de Assis, considerado um dos romances menos machadianos do autor, por ter um tom mais folhetinesco que todos os outros escritos por ele. Aqui temos a protagonista Helena, que após a morte do Conselheiro do Vale se torna herdeira e membro de sua família. A família do Conselheiro é composta pelo filho Estácio e a irmã D. Úrsula, que recebem a jovem,  em um primeiro momento desconfiam dela, mas acabam se encantando. Porém Helena guarda um segredo que pode mexer com a maneira com que sua nova família a enxerga.

Como já disse, esse livro é o livro mais diferente de Machado de Assis, a começar pela personagem feminina, Helena difere muito das demais, ela é uma moça frágil, muito correta, honesta e sem muitas camadas. Apesar do mistério que envolve suas saídas, a moça não faz nada que nos faça desconfiar ou tem um comportamento ambíguo, ela é preto no branco, ela não é complexa, ela é a típica mocinha dos novelões, que sofre muito, o que fez com que eu não me envolvesse tanto na história, não me identifico com essa persona.

Apesar de não ter me identificado e envolvido tanto com  a trama, não consigo dizer que um livro do Machado é ruim, a escrita dele como sempre é impecável e mesmo não tendo um enredo que me interessa, o autor conseguiu me surpreender com certas revelações e o seu "quê" de polêmica também me chocou um pouco.

E mesmo não conseguido dizer que "Helena" é um livro ruim, esse é o livro que menos gostei do autor e tudo isso acontece porque a minha mente desconstruída de 2020 se incomodou com um ponto dessa história, estou falando do Estácio, o irmão de Helena. Estácio é o típico cara que se considera um partidão, um homem de posses, inteligente e de boa família, que julga as mulheres de cima de sua "superioridade", ele me irritou tanto com seus cometários a respeito da sua noiva Eugênia e até mesmo de Helena, em algum momento da história. Sei que era o pensamento da época, mas o seu comportamento machista me fez demorar a ler o livro.

"Helena" não é o melhor livro do Machado de Assis, e isso não é uma opinião só minha, mas de várias pessoas, porém, o autor consegue deixar sua escrita brilhar apesar do enredo não ser lá grandes coisas.

Até o próximo post!

Resenha: Mulherzinhas

22.1.20
Sinopse: "Talvez você não tenha ouvido falar de Louisa May Alcott, mas deve ter ouvido a respeito de Jane Austen. Pode ser que não tenha visto o filme “Adoráveis mulheres” de 1994, estrelando Winona Ryder, mas talvez tenha visto “Lady Bird” de 2017, dirigido por Greta Gerwig. Ao longo das páginas de Mulherzinhas, o leitor entenderá o que une essas obras: fortes personagens femininas que marcaram e continuam a marcar gerações. Acompanhe as aventuras, dores, desilusões amorosas, perdas e aprendizados das irmãs March e descubra o que torna esse livro um dos mais queridos e relevantes da literatura mundial."

"Mulherzinhas" é um clássico da literatura, escrito por Louisa May Alcott, depois que a mesma recebeu uma encomenda para escrever um livro para meninas, em 1868, com dicas de bom comportamento. Mas a autora, que era uma mulher à frente de seu tempo, criou mais do que isso, ela fez uma história sobre mulheres incríveis, cada uma a sua maneira, e acima de tudo um livro sobre família e amor.

Em 2019 surgiram diversas edições desse livro, isso graças ao lançamento da mais recente adaptação para o cinema, pipocaram na internet resenhas sobre esse livro e o que eu mais ouvi era que a história era melosa demais e um pouca lenta. Mas apesar dessas críticas eu quis dar uma chance para o livro de Louisa May Alcott. Eu como grande fã de histórias como Pollyanna e Anne de Green Gables, não me incomodei com a doçura presente na história das quatro irmãs March, pelo contrário, me deliciei e não consegui tirar o sorriso do rosto enquanto lia sobre aquelas garotas.

O livro acompanha a vida das irmãs March, Meg, Jo, Beth e Amy, cada uma com uma personalidade, apesar de serem criadas na mesma casa. Meg é a jovem romântica, que sonha em se casar e ter um lar, Jo é um acontecimento, gosta de escrever, se divertir e não quer se casar nunca, Beth é doce, encantadora e muita tímida e Amy é artística e sonha com a grandeza. Vamos acompanhar essas jovens desde a adolescência até a idade adulta (leia, até a idade de se casarem). Além de focar na família March o livro também vai narrar as aventuras de Laurie, o vizinho e melhor amigo das garotas.

"Mulherzinhas" é sim um livro que vai falar sobre bom comportamento, sobre aceitar o que você tem, ser humilde, amorosa, amiga e trabalhadora, uma mulher boazinha e encantadora, mas a autora consegue ao mesmo tempo que leva as jovens para o bom caminho, mostrar que uma jovem pode ser boa e ter sonhos e ambições. A autora usa muito da jovem Jo (que dizem ser ela mesma na história) para mostrar que as mulheres podem sim querer serem famosas, inteligentes, independentes e que não há problema algum em desejar isso, mas que também pode-se desejar ter uma casa, marido e filhos, que todos os sonhos são maravilhosos. Há quem diga que esse livro é feminista, mas não chega a tando, apesar de que Louisa May Alcott fez uma belo trabalho, com as limitações de sua época.

Li "Mulherzinhas" na edição da Martin Claret (que está lindíssima e eu mais que recomendo), que traz os dois livros escritos por Loisa May Alcott, Mulherzinhas e Boas Esposas (que foi encomendado depois do sucesso do primeiro). É possível ver que ela queria que pelo menos uma das personagens seguisse os seus passos e não se casasse, mas pela pressão da sociedade ela teve que dar outro final para essa personagem em Boas Esposas (que eu até gostei).

As personagens de "Mulherzinhas" me conquistaram e apesar de em alguns momentos me incomodar com a maneira de pensar e agir de algumas, com o desenrolar da história a autora fez com que elas amadurecessem e eu me rendi a todas elas. 

Durante a leitura desse livro eu ri, chorei, esbravejei, me apaixonei e torci por todos, terminei a leitura com o coração aquecido e ansiosa para conferir a adaptação para o cinema. Se você passar por cima de toda docilidade e se render a trajetória das irmãs March, entenderá o porquê desse livro ser considerado um clássico. 

Até o próximo post!

Resenha: O Quebra-nozes

24.12.19
Sinopse: "É véspera de Natal. Marie se encanta, dentre todos os presentes, por um quebra-nozes em formato de boneco. Ela comoda o novo amigo no armário de brinquedos – mas, à meia-noite, ouve estranhos ruídos. Aterrorizada, vê seu padrinho, o inventor Drosselmeier, sinistramente acocorado sobre o relógio de parede, e um exército de camundongos invadindo a sala, comandado por um rei de sete cabeças! Contra eles, os brinquedos saem do armário e põem-se em formação. Têm uma grande batalha pela frente, sob as ordens do Quebra-Nozes...

Entre o sonho e a realidade, Marie viverá histórias maravilhosas e estranhas, de reinos, feitiços e delícias. Histórias em que o inusitado padrinho tem um papel especial, e nas quais só pode embarcar quem tem os olhos e o coração preparados. Você tem?
Esta edição inclui as duas variantes da história: a versão original de E.T.A. Hoffmann e a clássica de Alexandre Dumas – que popularizou a história e inspirou o famoso balé de Tchaikovsky –, com tradução de André Telles (do francês) e Luís S. Krausz (do alemão). Traz ainda apresentação da pesquisadora e especialista em contos de fadas Priscila Mana Vaz e mais de 200 ilustrações de época. A versão impressa apresenta capa dura e o acabamento de luxo característico da coleção Clássicos Zahar."


Desde criança eu era encantada com a história do Quebra-nozes, o boneco de madeira que com seu exército de brinquedos enfrenta o Rei Camundongo na noite de Natal e graças a ajuda da jovem Marie ele vence essa batalha. Eu nunca tinha lido o conto original e conhecia a história por suas várias adaptações para o cinema, quando fiquei mais velha me encantei também pelo Ballet com as músicas do Tchaikovsky. Então quando vi o lançamento da Zahar com as duas versões da história sabia que o livro ia ganhar meu coração.

A edição da Zahar tem as duas versões do conto, a de Alexandre Dumas e a do E.T.A. Hoffman. As duas são bem parecidas mudando um detalhe ou outro e a forma como se conta a história. Particularmente, gostei mais da de Alexandre Dumas, a do Hoffman achei um pouco arrastada, isso pode ter acontecido também porque como as histórias são bem semelhantes, na segunda leitura já não havia muitas surpresas.

A história é bem a que eu já conhecia, mas mesmo assim adorei tudo, desde as crianças recebendo os presentes, a batalha, o reino dos bonecos, um mundo mágico da maneira como só uma história de Natal pode ser. Apenas a questão da Marie ser uma criança e o Quebra-nozes um adolescente que me incomodou um pouco.

O livro é lindíssimo com todas a magia do Natal e a edição da Zahar foi digna dessa linda história, cheia de ilustrações.

Quebra-nozes já era uma história querida, mas depois dessa leitura eu tenho certeza que é minha história de Natal preferida, que me desculpe Charles Dickens e seu Conto de Natal.

Até o próximo post!

Resenha: A Mão e a Luva

4.4.19
Sinopse: "Publicado inicialmente em formato de folhetim, A mão e a luva saiu pela primeira vez em livro em 1874. Nesta obra, Machado apresenta ao leitor uma de suas tramas mais românticas: Guiomar, uma moça de infância pobre adotada pela madrinha rica, tem que se decidir entre três pretendentes. Essa dúvida envolve o conflito permanente entre a emoção e a razão, no qual está em jogo o futuro dessa mulher forte e decidida. Machado utiliza as reflexões de Guiomar para construir um perfil genial de toda a alta sociedade, na qual não há espaço para sonhadores e ingênuos."

Em "A Mão e a Luva" temos Guiomar, jovem de personalidade forte e muito racional, que tem que escolher um dos seus três pretendentes, Estevão, Jorge e Luís Alves, aquele que mais se parece com ela que quando estiverem juntos serão como a mão e a luva, perfeitos um para o outro.

Guiomar é o centro da narrativa, uma jovem órfã que é adotada pela madrinha rica e por isso vive devotada a ela. A moça é ambiciosa e pensa em cada passo que dá, para conseguir o que deseja, sempre sendo controlada e racional. Mas se para alguns Guiomar pode ser uma mulher arrogante, que passa por cima de tudo para chegar onde deseja, pra mim ela foi bastante interessante. Gosto da maneira como ela é, que sabe muito bem manter as emoções escondidas e que tem aspirações grandiosas, apesar da vidinha que leva. Uma mulher cheia de camadas e encantadoramente forte e decidida, do jeito que só Machado de Assis sabia fazer.  

Os pretendentes de Guiomar pouco tem a acrescentar na história, pois aparecem em vislumbres, quando declaram seu amor ou demonstram atração pela jovem de olhos castanhos. Temos um romântico, um bon vivant e um jovem em plena ascensão, tão diferentes um do outro até mesmo na hora de declarar seu amor, mas para Guiomar não bastam apenas belas palavras, o seu par tem que ser audacioso.

Acho "A Mão e a Luva" um belíssimo livro, que apesar de ser de "época" consegue ser bem atual, principalmente, nos dias de hoje, em que as pessoas buscam cada vez mais pares que compartilhem de suas ambições. Claro, que consegui enxergar além da racionalidade do casal principal uma nesga de amor, afinal, existe entre os dois uma admiração, que causa inquietação e curiosidade. Algo que lá na frente pode se tornar em amor, talvez. 

O livro é curto e muito fácil de ler, em três dias devorei a história, queria saber como que aquele quadrado amoroso iria parar. Machado de Assis em vários momentos me enganou, fazendo crer que iria tomar um caminho, mas lá na frente o desfecho foi outro. E por falar em desfecho que belo desfecho, adoro a maneira como ele termina a história com "Ajustavam-se ambas, como se aquela luva tivesse sido feita para aquela mão...". Sensacional.

Até o próximo post!



Resenha: Todos os Romances e Contos Consagrados de Machado de Assis (Volume 1) - Ressurreição

2.4.18
Sinopse: "Para casar com Félix, Lívia tem de estar pronta para perdoar sempre. São constantes as incertezas e o ciúme do amado. A jovem viúva seria capaz de pagar esse preço por sua paixão? Em Ressurreição, Machado de Assis investiga os sentimentos de um casal envolvido num relacionamento complexo. Através de uma história simples, revela aspectos profundos da psicologia humana."

Começamos a leitura das obras de Machado de Assis pelo seu primeiro romance, "Ressurreição", que vai contar a história de Félix e Lívia, ele um médico que nunca acreditou nos relacionamentos e ela uma jovem viúva com o coração sempre disposto a dar amor. Os dois começam a se relacionar despretensiosamente e acabam em um forte relacionamento cheio de idas e voltas, devido as desconfianças e o ciúmes contante de Félix. Ou seja, temos aqui mais uma história sobre como a falta de confiança pode destruir uma amor. Qualquer semelhança com um outro romance de Machado de Assis, é uma mera coincidência, ou talvez, "Ressurreição" fosse o prólogo para "Dom Casmurro".

O livro é bem curto e a história não é complexa em sua narração, mas para um primeiro Romance, Machado já chegou destruindo. Enquanto lia o livro a sensação que tinha era de incomodo, Félix que era o homem cheio de antigos amores, vivia a desconfiar de Lívia, uma viúva que dedicava a vida ao filho e a ele. Engraçado pensar que um livro tão antigo, tenha um tema tão atual, afinal, que não conhece algum casal que vive aos términos?! 

Machado de Assis planta aqui a sementinha de que quando a pessoa é muito desconfiada, ela não consegue ser feliz, seja em qual for o momento ou com quem esteja, a confiança é a base do relacionamento e também da felicidade.

O livro é simples, claro que com uma linguagem adequada com a época em que foi escrito, então para algumas pessoas isso pode se tornar um empecilho, mas sinceramente, nada que um bom dicionário ou até mesmo o google não possa te ajudar. Não acho que um vocabulário mais complexo seja um problema para você perder a chance de ler um livro tão incrível.

No mais, o livro é muito bom, com um final que eu até engoli seco, achei bem pesado, mas digno da genialidade do Machado, que desde seu primeiro romance cria histórias maravilhosas e tão verdadeiras. Um livrão!

Até o próximo post!

Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio

24.4.17
Sinopse: "Um garoto americano de 16 anos relata com suas próprias palavras as experiências que ele atravessa durante os tempos de escola e depois. Revela tudo o que se passa em sua cabeça. O que será que um adolescente pensa sobre seus pais, professores e amigos?"

"O Apanhador no Campo de Centeio" foi publicado como livro pela primeira vez em 1951 e é um dos livros mais lidos e comentados no mundo. Entre os que amam e os que odeiam a história de Holden Caulfield, há também várias polêmicas, como o caso do assassino de John Lennon que afirmou ter matado o cantor por causa do livro. Mas afinal do que se trata esse livro?E por que ele é tão importante na literatura?

O livro escrito por Salinger vai narrar um final de semana da vida do jovem Holden Caulfield, um jovem de 16 anos que acaba de ser expulso da escola, mas ao invés de voltar para casa fica perambulando por Nova Iorque. O narrador da história é o próprio garoto, que utiliza de uma linguagem coloquial cheia de gírias e palavras de baixo calão. Pode-se dizer que esse livro é um dos  primeiros Young Adults, afinal vamos ter um jovem contando sobre as algúrias da sua vida.


A narração é feita com o recurso de fluxo de pensamento, então Holden oscila e mistura suas histórias. Em certo momento ele até disse que gosta de quando uma pessoa conta uma história e a mistura com outra, coisa que ele faz a todo tempo.

A primeira impressão que temos é de que Holden é um adolescente reclamão, que se incomoda com tudo e com todos. Porque é isso que ele faz durante toda história, reclama e reclama. Porém com o tempo você vai percebendo que o problema dele não é ser um rebelde sem causa e que alguns acontecimentos fizeram com que ele ficasse daquele jeito. Aquele garoto está desanimado, não consegue se interessar por nada, desacreditado da humanidade, com fortes indícios de estar vivendo uma depressão. E acredito que as pessoas que não perceberam isso, ficaram apenas achando que ele era um adolescente mimado em crise.

Holden além de dar várias pistas do porquê de estar daquele jeito, tão desgostoso da vida, nos dá a entender que sente medo de crescer, digno de um Peter Pan da vida moderna, que foge após ouvir os pais programando sua vida. Ele tem grande paixão pelas crianças e são os únicos momentos que ele parece estar bem. E é nessa paixão que vem a explicação para o nome do livro.

Um livro que não tem uma fluidez, por termos um personagem que está farto de tudo, porém a história é fácil de se compreender e com suas poucas páginas vai passar rápido. Um livro muito interessante que deve ser lido, nem que para ser encarado como a pior leitura de todas, o que de longe foi minha opinião. Gostei muito do livro e me senti tocada por Holden Caulfield, torci para que alguém intercedesse por ele e o salvasse. Então apenas leia "O Apanhador do Campo de Centeio" e tire suas próprias conclusões.

Até o próximo post!

Resenha: A Cor Púrpura

21.11.16
Mais um livro "clássico" que entrou na minha lista e foi eliminado. Dessa vez eu li a incrível história de Celie, escrita por Alice Walker em "A Cor Púrpura",

Sinopse: "Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1983 e inspiração para a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra muito atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais."

"A Cor Púrpura" é um romance epistolar, ou seja será narrado todo através de cartas. Celie, uma jovem mulher negra, que vive no sul dos Estados Unidos, vive uma vida de abusos físicos e morais, principalmente, dos homens. Ela vai tentar lidar com essa situação escrevendo cartas, primeiro para Deus, depois para sua irmã mais nova Nettie. Celie não é estudada e escreve como fala, então o livro é escrito com alguns "erros", para dar veracidade a história da personagem.

Esse livro vai tratar do quanto as mulheres eram abusadas e mau tratadas naquela época, e que apenas aquelas que se impunham é que tinham o respeito. Mas além de mostrar todo esse machismo, teremos também o racismo sulista, onde mesmo tendo sido libertados os negros tem que lidar com o desrespeito dos brancos.

A história de Celie não é fácil e ela sofre a todo momento, sofre na mão do pai, sofre com o marido, sofre com os enteados, e só aos poucos ela começa a se abrir para o mundo e se descobrir. Durante toda essa leitura, você vai se sentir incomodada, principalmente se for mulher, vai sofrer com tudo que fazem com essa mulher que tenta agradar e ajudar, e o livro acaba sendo difícil, denso e até sufocante em alguns momentos, em que você quer entrar na história e dizer umas verdades para todos que não enxergam a Celie.

O livro é uma lição de feminismo, com várias mulheres diferentes, que mostram como lidar com aquela sociedade machista, que as sufocam. E é incrível como elas interagem e os diálogos, que são cheios de significados. Menção honrosa para as personagens de Sofia e Shug, que enfrentam os homens e não tem medo de terem comportamentos muitas vezes masculinizados.

Gostei muito do livro, mas não vou dizer que é um daqueles livros para reler sempre, ele é denso e vai mexer com a sua cabeça e te fazer pensar, o quanto as mulheres antes de nós tiveram que sofrer até chegarmos ao nível de liberdade que temos hoje. Mais um daqueles livros que precisam ser lidos.

Até o próximo post!
Agora que sou crítica - Design e Desenvolvilmento por Lariz Santana