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Resenha: O que terá acontecido a Baby Jane?

16.12.19
Sinopse: "O que terá acontecido a Baby Jane? conta a história das irmãs Hudson, duas mulheres de idade que vivem isoladas em uma mansão e mantêm uma relação doentia de dependência, inveja, rancor e culpa.

“Baby” Jane Hudson fez nome nos palcos de teatro vaudevile quando era criança. Mas isso foi há tantos anos que ninguém mais se lembra dela. Sua irmã Blanche foi uma estrela maior, de grande sucesso em Hollywood. Um acidente de carro, porém, afastou-a dos holofotes e a colocou sobre uma cadeira de rodas. Aos poucos, os ressentimentos se transformam em obsessão, colocando em risco iminente a vida — e também a sanidade — das duas irmãs.

O que terá acontecido a Baby Jane? virou referência por sua adaptação cinematográfica, com Bette Davis e Joan Crawford. Mas toda a angústia, a inspiração gótica e até a atmosfera sombria da fotografia em preto e branco do longa-metragem já estavam presentes nas páginas do livro."


Desde quando a DarkSide Books anunciou que iria trazer esse livro para o Brasil eu fiquei empolgada, o lançamento demorou um pouco, mas quando chegou já entrou na minha wishlist. Então finalmente peguei esse livro pra ler, com as expectativas lá em cima, e acabou que Henry Farrel consegui superar todas elas.

O livro vai contar a história de duas irmãs, Jane e Blanche, a primeira foi sucesso nos palcos quando ainda era criança, já a segunda foi uma estrela com consagrada de Hollywood. Mas a fama já não existe para as duas, Jane caiu no esquecimento e Blanch há 20 anos vive em uma cadeira de rodas, após um misterioso acidente de carro. As duas irmãs vivem juntas em um casarão, sem muito contato com o mundo externo.

Henry Farrel construiu uma narrativa que instiga,  nos fazendo desejar ler aquela história em uma sentada, querendo saber o que vai acontecer. A leitura flui  muito bem, apesar de todo o mistério que envolve a relação daquelas duas irmãs. Aos poucos o autor foi revelando através de flashbacks como Jane e Blanche chegaram até aquele ponto.

Grande parte da história de passa dentro da casa e apenas as interações entre as irmãs existem, dando grande espaço para revelar cada personagem com todas suas camadas. As duas são muito bem construídas, mas Jane é quem brilha nessa história, com sua personalidade egoísta e rancorosa, maquiada e vestida como uma criança, ela é insana.
“O que terá acontecido a Baby Jane?” é um livro sobre inveja, frustração, rancor e principalmente, sobre a loucura. 

A edição da DarkSide além do livro Baby Jane ainda traz mais três contos do Henry Farrel, “O que terá acontecido a prima Charlotte?”, “A estreia de Larry Richards” e “Primeiro, o ovo”. O primeiro com uma pegada bem parecida com o Baby Jane, o segundo sobre um ator voltando a ativa e o terceiro uma história bem louca sobre um cara que encontra um ovo em uma expedição. Todos os contos tem uma pitada de insanidade. 

O livro é incrível em seu conteúdo e visualmente, porque a edição está maravilhosa. Obrigada DarkSide por trazer esse livrão para o Brasil.

Até o próximo post!

Resenha: Uma Mulher no Escuro

8.10.19
Sinopse: "Um crime brutal cometido há vinte anos, uma única sobrevivente, o retorno calculado do assassino. Em quem Victoria deve confiar? Neste thriller psicológico, Raphael Montes une romance e suspense em uma narrativa intrincada e sedutora.
Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.
Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?
Na literatura nacional, Raphael Montes é unanimidade quando se trata de livros de suspense. Uma Mulher no Escuro traz sua primeira protagonista feminina e confirma o autor como um dos mais originais da atualidade — além de deixar o leitor intrigado do começo ao fim."

"A Mulher no Escuro" é o quarto livro da Raphael Montes que eu leio, então era de se esperar que eu já tivesse me acostumado com a crueldade de suas histórias e suas reviravoltas, porém eu não estava preparada para o que foi esse livro. Terminei a leitura sem saber se tinha gostado ou não, e isso não foi por ter achado o livro ruim, mas por ter achado a história tão pesada que é difícil dizer que "gostei".


O livro vai narrar a história de Victoria, uma jovem que viu a família ser assassinada quando tinha apenas 4 anos. Ela foi a única sobrevivente do massacre e tem que lidar com os problemas que esse episódio lhe causou. A jovem tem problemas para se relacionar, tem pesadelos e vive solitária. Agora depois de vários anos o passado volta para lhe atormentar. Em meio a tudo isso Victoria convive com três homens, um psiquiatra, um amigo e um interesse amoroso, mas parece que algum deles pode ser responsável por trazer o terror de volta a vida dela.

Pela primeira vez a protagonista da história de Raphael Montes é uma mulher, não apenas isso, mas a "vítima" de toda história, diferente de todos os outros protagonistas criados pelo autor. Gostei muito dessa nova perspectiva e achei que ele conseguiu passar muita veracidade nos sentimentos da personagem.

A história começa envolta em mistério e aos poucos o quebra-cabeça vai sendo montado. Primeiro é preciso entender quem é o assassino da família de Victoria, porque ele fez o que fez e finalmente o porque de ele ter voltado depois de tanto tempo. Um a um desses questionamentos vão sendo respondidos e uma história macabra é revelada. 

Eu devorei o livro, principalmente quando fui chegando aos momentos finais, queria saber onde tudo aquilo ia dar, tive algumas teorias, acertei algumas e errei outras. O que mais gostei não foi o desfecho em si, mas de tudo que tinha por trás daquele assassinato, foi duro, pesado e completamente possível. Enquanto lia tudo aquilo me veio a cabeça o caso da Escola de Base (só pesquise se quiser ter um pequeno spoiler) e não sei se o Raphael usou tal como inspiração. Independente das inspirações "Uma Mulher no Escuro" é um livrão, daqueles thrillers que vão te deixar sentado na ponta da cadeira até terminar a leitura, mas quando chegar ao final a sensação de que enojamento pode dificultar na hora de dizer se o livro é bom ou não.

Até o próximo post!

Resenha: Branco Letal

14.8.19
Sinopse: "O romance mais épico de Robert Galbraith escrito até então, Branco letal é ao mesmo tempo um policial emocionante e um novo episódio da história em curso de Cormoran Strike e Robin Ellacott.
“Eu vi matarem menino... foi estrangulado, no cavalo.”
Quando Billy, um jovem problemático, vai à agência do detetive particular Cormoran Strike procurando sua ajuda na investigação de um crime que ele pensa ter testemunhado quando criança, Strike fica profundamente aflito. Embora tenha problemas mentais evidentes e não consiga se lembrar de muitos detalhes concretos, há algo de sincero nele e na história que conta. Mas antes que Strike consiga interrogá-lo melhor, Billy foge de seu escritório em pânico.
Tentando chegar ao fundo da história de Billy, Strike e Robin Ellacott — antes sua secretária, agora uma sócia na agência — partem seguindo um rastro tortuoso que os leva pelas ruas do submundo de Londres, até um refúgio secreto dentro do Parlamento e a uma mansão bela, porém sinistra, no interior do país.
E durante esta investigação labiríntica, a própria vida de Strike não está nada fácil: graças à fama recente como detetive particular, ele não consegue mais agir nos bastidores, como antigamente. Além disso, sua relação com a antiga secretária carrega mais tensão do que no passado — Robin agora é inestimável para Strike nos negócios, mas a relação pessoal dos dois é muito mais espinhosa."

"Branco Letal" é o quarto livro da série do detetive Cormoran Strike e o maior deles até agora, com suas mais de 600 páginas, mas nem mesmo sendo um calhamaço nada tedioso. Esse quarto mistério investigado por Strike é tão instigante como seus antecessores. Temos um jovem com problemas mentais que jura ter visto um menino ser estrangulado, o começo de um caso cheio de reviravoltas e que só tem solução no finalzinho do livro.

Além do mistério, que é o ponto central da história, também é muito abordada a vida pessoal de Strike e Robin, que definitivamente estão muito afins um do outro, mas não tem coragem de admitir. Os dois tem que colocar pontos finais em suas histórias passadas, para que possam evoluir e começar uma nova vida. Gosto muito do autor não focar apenas em solução de casos e dá espaço para o individual de cada personagem, para que conheçamos profundamente seus sentimentos e sua personalidade.

Nesse quarto livro é possível ver que a história não é apenas de Strike, pelo contrário, Robin ´tão protagonista quanto o detetive grandalhão e vem ganhando cada vez mais espaço na hora de solucionar os casos. Acho maravilhoso ela não ser apenas a bela secretária, mas uma mulher cheia de personalidade que quer colocar a mão na massa.

Adoro a escrita de Robert Gailbraith, mesmo esse livro sendo um calhamaço, ele conseguiu me prender, fiquei desesperada para descobrir o que realmente Billy presenciou, e tive várias teorias, o que de maneira alguma tornou a leitura cansativa. Mas que fique claro que gosto desse estilo de história cheia de detalhes a la J.K. Rowling, afinal, adoro Morte Súbita.

"Branco Letal" foi aquele quarto livro que demorou a ser lançado, mas foi mais que bem recebido pra mim, eu adorei a história e já estou ansiosa para o quinto livro. Quero mais de Strike e Robin e seus casos. 

Até o próximo post!

Resenha: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Millennium)

28.11.18
Sinopse: "O jornalista Mikael Blomkvist acaba de ser condenado e sentenciado a três meses de prisão por difamar um poderoso financista. Recebe então uma proposta intrigante: o grande industrial Henrik Vanger quer contratá-lo para escrever a biografia de sua conturbada família. Mas, sobretuto, Vanger quer que Mikael investigue o sumiço de sua sobrinha Harriet, desaparecida sem deixar vestígios há quase quarenta anos. Henrik também se dispõe a salvar a 'Millennium', revista capitaneada por Mikael, e que se encontra em risco de falência. De início contrariado, o jornalista acaba aceitando a tarefa.
Harriet desapareceu quando sua família se reunia para um encontro em uma ilha. Inteligente e sensível, a moça era a favorita de Henrik. Suspeitos não faltam, pois, se todas as famílias tem esqueletos no armário, o clã Vanger parece dispor de um cemitério inteiro. Em sua busca febril, Mikael recebe a ajuda de uma jovem e genial hacker, Lisbeth Salander, cuja magreza anoréxica só é comparável à fúria silenciosa que nutre contra a sociedade. Mas, como Mikael logo compreende, se alguém esconde um segredo torpe, é certo que Lisbeth irá descobri-lo. E, de fato, pouco a pouco, o jornalista e sua improvável parceira desvendam um verdadeiro circo de horrores.
'Os homens que não amavam as mulheres' não é apenas um do mais comentados romances policiais dos últimos anos, tendo tomado de assalto a lista dos mais vendidos dos países onde foi publicado. É uma obra de dimensões oceânicas, que se desdobra pelos mais diversos aspectos da vida moderna - os crimes de colarinho branco, a responsabilidade do jornalismo econômico com a ciranda financeira, o fenômeno da internet e da invasão de privacidade, o ódio contra as minorias. Por isso, além de seduzir com seu intrincado mistério, fornece ainda uma reflexão ética sobre a sociedade atual, sobre os segredos de cada um e a responsabilidade de todos."

"Os homens que não amavam as mulheres" é o primeiro livro da trilogia Millennium, escrita por Stieg Larsson. A princípio a história seria uma série de 10 livros, mas o autor morreu logo após terminar o terceiro livro, transformando Millennium em uma trilogia.

O livro tem várias histórias dentro de suas 522 páginas. Ele se inicia abordando duas histórias diferentes, a do jornalista Mikael Blomkvist, que está sendo condenado por uma matéria em que denunciava um grande empresário e Lisbeth Salander uma jovem hacker que vive sob a tutela do estado e está tendo problemas com seu mais novo tutor. Depois essas duas narrativas abrem espaço para uma terceira a história da família Vanger, composta de pessoas horríveis e que tem um mistério, o sumiço de Harriet uma jovem que desapareceu aos 17 anos. Por fim retomamos a história do grande empresário corrupto e a história é fechada, largando algumas pontas para sua continuação.

Os dois personagens principais da história são Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos, os dois lutam por justiça e tem um ótimo faro para desvendar mistérios. Juntos essa dupla é invencível. Mas claro, que o grande destaque do livro é Lisbeth, a jovem com uma tatuagem de dragão é cheia de mistérios, não é revelado porque vive sob tutela ou porque ela se tornou uma pessoa tão fechada. Ela é uma grande heroína com capacidades impressionantes e um senso de justiça muito forte, na verdade ela gosta de executá-la com as próprias mãos.

Para algumas pessoas o livro pode ter um início lento, para que entendamos de onde veio os dois protagonistas até se encontrarem, além de termos uma variedade de discussões sobre economia, burocracias e informações sobre a extrema direita na suécia. Eu acho tudo isso fascinante, gosto de aprender com todas as minhas leituras e esse livro é um prato cheio. 

Como o título mesmo diz "Os homens que não amavam as mulheres", a história gira em torno da violência contra mulher e os homens odiosos que fazem isso. Para quem tem gatilhos com estupros, eu não recomendo, apesar do autor não descrever muitas cenas, mas há a insinuação.

A escrita de Stieg Larsson flui muito bem e ele sabe criar um mistério como ninguém, você não consegue parar de ler até descobrir o que aconteceu com Harriet Vanger e logo em seguida quer saber mais sobre Lisbeth. É instigante e muito bem construída a narrativa, um prato cheio para os fãs  de romances policiais.

Apesar deste ser o primeiro de uma trilogia, eu achei que o livro é muito bem fechadinho e dá perfeitamente para se ler apenas este primeiro, porém desafio você a não desejar se entregar a leitura do volume seguinte. Um livro que na minha opinião é perfeito.

Até o próximo post!

Resenha: O Colecionador

24.9.18
Sinopse: "O Colecionador é a história de Frederick Clegg, um homem solitário com um plano para conquistar o grande amor de sua vida. "O Colecionador" também é a história de Miranda Gray, sequestrada por um maníaco que acha que pode obrigá-la a se apaixonar por ele. Dois narradores antagônicos, sequestrador e vítima, brilham no romance de John Fowles."

Eu sempre quis ler "O Colecionador", mesmo quando as edições brasileiras estavam esgotadíssimas. Então fiquei bem empolgada quando a Dark Side anunciou que iria lançar uma edição em cpa dura do livro do John Fowles. E a editora arrasou, porque além de ser um livro muito bom, essa edição está maravilhosa, uma das mais bonitas da minha estante.

O Colecionador vai contar a história de Miranda, uma artista que é sequestrada por um colecionador de borboletas e mantida em cárcere privado. O sequestrador nutre uma paixão por ela, que é muito semelhante com a que ele tem por suas borboletas, algo belo e intocável, para ser somente admirado. 

A história é dividida em duas partes, que são narradas pelos dois, Miranda e Frederick, então temos a visão do sequestrador e da sequestrado, o que torna a história muito mais interessante, na minha opinião. A parte de Frederick ele sempre vai relatar como se ele fosse um homem apaixonado e respeitador, que não teve outra opção a não ser tomá-la para ele. Enquanto Miranda relata como é estar presa e conta detalhes de sua vida antes do cárcere.

Os personagens são muito bem construídos, Frederick tem todo aquele seu jeitinho certinho, mas tem um  lado obscuro e cruel dentro de si. E Miranda é um espírito livre, uma mulher cheia de altos e baixos, mais uma pessoa muito amável, apesar da imagem que ele tenta passar dela.

 A leitura fluí muito fácil, porque John Fowles escreve maravilhosamente bem, você consegue vê perfeitamente as duas vozes dos personagens. Porém, não é um livro que você consegue ler com rapidez, ele é difícil e dolorido e tudo pelo que Miranda passa é tão injusto, que é impossível não se compadecer com seu sofrimento.

O Colecionador não me decepcionou e foi com toa certeza um dos melhores livros que eu li em 2018, já penso em fazer várias releituras pra vê o que vou sentir, agora que sei que rumo toma a história. Um livro lindo, mas muito triste.

Até o próximo post!





Resenha: Fraude Legítima

23.4.18
Sinopse: "Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás."

"Fraude Legítima" é o terceiro livro da E. Lockhart publicado no Brasil e o mais interessante é que os três tem muito pouco em comum, ao não ser o fato de terem personagens femininas como protagonistas da história. Mas não são qualquer personagem feminina, a autora gosta de garotas fortes e com personalidade. Porém nem sempre essas garotas são agradáveis e esse é o caso das personagens de "Fraude Legítima".

O livro vai contar a história da Jule West Williams, mas de uma maneira bem diferente, porque a história vai ser contada de trás para frente com alguns lances do presente. A vida de Jule é um mistério, ela é uma incógnita e você só vai entender como ela foi parar em Londres com  amiga Imogen Sokoloff lendo a história, porque se eu te der mais detalhes vou estragar todo o encanto desse livro.

A história de Jule é muito interessante e você se vê envolvido naquelas reviravoltas, querendo descobrir como aquela garota foi se tornar o que é. Mas não é apenas sua jornada que é interessante, a própria Jule é muito cativante, com todos os seus disfarces, seu desejo de ser a grande heroína de sua história. A escrita da E. Lockhart é muito diferente neste livro do que em "Mentirosos" , mas continua primorosa tanto quanto.

"Fraude Legítima" talvez não seja um livro que agrade a todo, principalmente por conta de seus personagens que vão te incomodar com seus comportamentos. Mas se você gosta de histórias cheias de reviravoltas e com personagens que amamos odiar, esse é o seu livro.

Até o próximo post!


Resenha: Origem

26.2.18
Sinopse: "De onde viemos? Para onde vamos?
Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete "mudar para sempre o papel da ciência".
O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento... algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana.
Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.
Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch.
Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.
Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch... e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo."


Antes de começar a falar sobre "Origem" quero que vocês entendam minha relação com o Dan Brown. Eu sempre gostei dos livros do autor, me lembro até hoje do meu encantamento quando li "O Código da Vinci" pela primeira vez e como esse livro ficou na minha lista de favoritas por muito tempo. Gosto muito dos outros livros dele, inclusive acho "Anjos e Demônios" espetacular. Mas já faz um tempo que as histórias dele não me pegam, para ser mais exata desde "Inferno". Mas o meu interesse pelo o que ele escreve foi enterrado de vez com "Origem".

"Origem" mais uma vez tem o esqueleto formado pela receita usual de Dan Brown, temos aqui uma revelação que irá mudar os rumos da história, um mistério envolvendo o responsável por essa revelação, Robert Lagdon e sua memória fotográfica, uma companheira maravilhosa que ajuda na busca por respostas, um perseguidor, muita arte e claro, uma crítica religiosa. Porém desta vez a receita não funcionou e o livro acabou solado. E isso acontece porque na verdade a base foi a mesma, mas o autor mudou algumas medidas nos ingredientes e isso prejudicou na fluidez do livro, transformando aspectos interessantes como descrições e informações sobre arte, tecnologia e cultura em algo maçante e cansativo. E cansativo é a melhor palavra para descrever esse livro.

Além das descrições terem se tornado chata ao invés de interessantes, temos também um Robert Lagdon apenas como um mero acessório, pra interligar esse livro com os demais do Dan Brown. O professor está perdido na história, em que nada tem haver com ele, com suas artes modernas e abstratas ou a tecnologia avançada, ele fica apenas como telespectador e quem é o grande "detetive" da história é Winston, o secretário de Edmond Kirsh. Lagdon se torna um espectador, não se parecendo em nada com o incrível professor que ajudou a descobrir a família de Cristo, ou que evitou que um papa errado fosse escolhido, ele se tornou ultrapassado, tal qual as antigas religiões e simbolismo que ele estuda.

Outra coisa que me incomodou foi que as histórias paralelas as do mistério de Edmond Kirsh não se conectavam e mesmo com a conclusão da história o autor não conseguiu amarrar todas juntas, pra mim ficou tudo solto, como se fizessem parte de livros diferentes. Fora que nenhuma história me interessou, a história da família real da Espanha é chata e teve um final muito sem sentido, o próprio Almirante Ávila não é tão interessante como os outros perseguidores da história de Brown e Ambra Vidal pra mim não passa de uma acompanhante medíocre.

O livro tinha tudo para ser interessante, com sua promessa de revelar de onde viemos e para onde vamos, mas as explicações da teoria de Edmond eram chatas e para mim só pareciam uma forma de criticar a religião. Mas aí no final o autor deixa pistas de que não é bem assim, que a religião não é esse monstro (que ele afirma em diversos livros dele), ficou parecendo uma tentativa de se desculpar das críticas ferrenhas que o autor fez anteriormente.

Concluindo, Dan Brown errou porque não fez nada de novo, mas errou também quando resolveu inovar demais. Na verdade, "Origem" é um livro com uma sucessão de erros, que não envolve ou encanta, pelo contrário, decepciona aos fãs de Dan Brown. No meu caso, me decepcionou tanto, que estou seriamente inclinada a não ler mais nenhum livro do autor, que vem decaindo livro após livro, o que é uma pena, afinal, seus primeiros livros eram um deleite para os fãs de literatura policial.


Até o próximo post!


Resenha: O Sorriso da Hiena

11.9.17
Sinopse: "É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas.
Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade."

"O Sorriso da Hiena" do Gustavo Ávila foi publicado pela primeira vez de forma independente e nessa época já foi um sucesso, lembro de ver diversos booktuber comentando o quanto era incrível a história criada pelo Gustavo. Então você imagina que eu comecei a leitura cheia de expectativas e não fui decepcionada.

O livro vai começar com um casal sendo assassinado de forma brutal na frente do filho, 20 anos depois essa cena se repete, só que agora o garotinho que assistiu tudo está no lugar do assassino, que se tornou um serial killer. No encalço dele temos o detetive Arthur, que é excepcional no que faz e tem a síndrome de Asperger, e ele vai contar com a ajuda do psicólogo Willian, que é especializado no tratamento de crianças que sofreram traumas. E vou parar por aí para não estragar o desenvolvimento da história.

Gustavo Ávila escreve muito bem e o que mais me chamou atenção em sua escrita foi o fato dele não dar características regionais a sua história, que pode se passar tanto no Brasil como em qualquer lugar do mundo. O autor cria uma rede de acontecimentos todos entrelaçados que nos levam ao um final digno de um bom thriller.

Claro que o livro não é perfeito, temos alguns pontos em que eu fiquei incomodada, por exemplo, um momento de um assassinato em que ele só é notado alguns dias depois, sendo que o personagem é ativo na história. E claro, o fato de tudo dar muito certo para o assassino, mas essa questão eu até perdoo, porque acabei me afeiçoando ao "vilão" da história. Ah, isso foi uma das coisas que me fez gostar do livro, temos um personagem que tem motivos para ser tão cruel como é e isso pra mim sempre é válido.

'O Sorriso da Hiena" é um ótimo livro e eu tenho certeza que ainda vamos ouvir falar bastante do Gustavo Ávila, que tem tudo para ser um dos grandes nomes da literatura contemporânea brasileira. E espero que a Globo faça algo bem digno com os direitos desse livro, adoraria vê-lo em uma série de TV.

Até o próximo post!

Resenha: Fábrica de Vespas

10.4.17
Sinopse: "Frank – um garoto de 16 anos bastante incomum – vive com seu pai em um vilarejo afastado, em uma ilha escocesa. A vida deles, para dizer o mínimo, não é nada convencional. A mãe de Frank os abandonou anos atrás; Eric, seu irmão mais velho, está confinado em um hospital psiquiátrico; e seu pai é um excêntrico sem tamanho. Para aliviar suas angústias e frustrações, Frank começa a praticar estranhos atos de violência, criando bizarros rituais diários onde encontra algum alívio e consolo. Suas únicas tentativas de contato com o mundo exterior são Jamie, seu amigo anão, com quem bebe no pub local, e os animais que persegue ao redor da ilha.
Abandonado à própria sorte para observar a natureza e inventar sua própria teologia – a maneira do Robinson Crusoé de Daniel Defoe –, Frank desconhece a escola e o serviço social, já que seu pai acredita na educação “natural”, recomendada pelo filósofo do século XVIII Jean-Jacques Rousseau e apresentada em seu romance Emílio, ou Da Educação (1762), que sugere que as crianças devem crescer entre as belezas da natureza, permitindo que elas se deleitem com a flora e a fauna. A natureza humana seria boa a princípio, mas corrompida pela civilização. Quando descobre que Eric fugiu do hospital, Frank tem que preparar o terreno para o inevitável retorno de seu irmão – um acontecimento que implode os mistérios do passado e vai mudar a vida de Frank por completo."

Dark Side Books publicou mais um livro em que o personagem principal é uma criança psicopata, mas diferente de "Menina Má" que mostra que o mal pode nascer em qualquer lugar, "Fábrica de Vespas" mostra que o meio pode sim influenciar.

O livro vai acompanhar a rotina de Frank, um garoto cheio de rituais, que confessa já ter matado, mas que agora só tortura animais. Ele mora com o pai, que é uma figura muito estranha, com comportamentos exóticos. Além disso, o garoto de 16 anos tem um irmão que está em um sanatório após incendiar alguns cachorros por aí. Uma família bem peculiar que vive em uma ilha, isolados do resto da cidade.

Como disse anteriormente, o livro vai mostrar a rotina de Frank, mas a partir do momento em que ele fica sabendo que o irmão fugiu da clínica e está voltando para casa. Então nesse tempo iremos acompanhar os rituais dele e momentos de grande violência que ele tem com os animais. Mas o curioso é que ele sabe que seu comportamento é errado, mas não considera que seja perturbado como o irmão.

A narração do livro é em primeira pessoa, então temos que lidar com o complexo de superioridade de Frank, que como grande parte dos psicopatas se acha o ser mais inteligente de todos. O garoto mesmo com apenas 16 anos adora usar um vocabulário rebuscado, que beira o ridículo. Fora que ele é machista e sempre menospreza as mulheres.

O enredo por seguir uma rotina torna a leitura arrastada, mas Iain Banks vai dando pistas do plot twist do final do livro, mas ao mesmo tempo ele nega tudo que diz, por isso a reviravolta final salva a história.

"Fábrica de Vespas" não é aquele livro para você morrer de amores e devorar as páginas, é uma história bizarra, com personagens que não lhe causam nenhuma empatia e com cenas de violência gratuita. Mas um livro que retrata bem como  meio pode gerar um psicopata. Daqueles livros para quem gosta do tema.

Até próximo post!

Resenha: À Espera de um Milagre

29.8.16
"À Espera de um Milagre" é daqueles livros que todo mundo pensa que conhece, simplesmente, por ter assistido ao filme de 99. Claro, que a adaptação da obra de Stephen King foi primorosa, mas a estória de John Coffey é ainda mais maravilhosa quando lemos.


Sinopse: Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain. Stephen King foi buscar no lado mais sombrio de sua imaginação a história assombrosa de John Coffey, condenado à morte, e seu encontro fatal com o carcereiro Paul Edgecombe. Nas telas, o diretor Frank Darabont recria a história magistral de King, com Tom Hanks interpretando o guarda Edgecombe.

Esse foi meu primeiro livro do Stephen King, que sempre foi descrito pra mim como um escritor muito detalhista e com uma escrita arrastada, porém, não consegui identificar o escritor dessa imagem que criaram pra mim. Minha leitura de seu livro foi muito prazerosa e nada arrastada, devorei todas as páginas e me deliciei com toda a estória.

O livro vai ser narrado por Paul Edgecombe alguns anos depois que ele conheceu John Coffey no corredor da morte em uma penitenciária de Cold Mountain. Paul não segue uma narrativa retilínea, ele vai e volta na estória em diversos momentos. Claro que esse recurso é utilizado para mostrar o como as ideias estão bagunçadas na cabeça do velho guarda que conheceu um homem com o poder de realizar milagres.

Mesmo tendo um narrador que vai e volta diversas vezes nos fatos, o livro não é repetitivo ou cansativo, é como se estivéssemos escutando alguém nos contando uma estória. A maneira com que Stephen King resolveu contar o que aconteceu na prisão de Cold Mountain, nos faz vivenciar todos aqueles acontecimentos, como se estivéssemos lá junto com os guardas do corredor verde, vendo o enorme John Coffey ser preso.

Adorei a maneira como o autor criou as personagens do livro, gosto quando conseguimos enxergar profundidade e as camadas que os envolve. Gosto da maneira como ele criou Delacroix, um homem que estuprou e matou, mas que se encanta com um rato correndo atrás de um carretel. Também gosto como ele mostra  covardia de Percy Wetmore, por traz de toda pompa. Do senso de justiça de Paul Edgecombe. Sério, um livro repleto de personagens bem construídas.

O livro vai tocar em vários pontos delicados como o racismo, a pena de morte, a maldade do ser humano, a culpa, a fé, o nepotismo. Em diversos momentos Stephen King vai afirmar que John foi condenado apenas por ser negro e que a pena de morte não é a solução.

Adorei o livro e já quero ler outros livros do Stephen King. Terminei o livro com vontade de assistir o filme, que é extremamente fiel a estória criada pelo autor.

Até o próximo post
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