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Resenha: A Memória de Babel

7.10.20

 

"A Memória de Babel" é o terceiro livro da série "A Passa-Espelhos" da Christelle Dabos, que acompanha Ophélie uma jovem que tem o poder de atravessar espelhos e ler objetos com as mãos. O livro se passa 3 anos após os acontecimentos de "Desaparecidos em Luz da Lua", com Ophélie novamente em Anima, sofrendo pelo desaparecimento de Thorn.

No primeiro momento da história vemos uma Ophélie está prostrada,  enfiada no quarto, sem vontade de fazer nada, quando Archibald lhe oferece a chance de ir para outra arca. Ela então segue para Babel, uma arca totalmente diferente de Anima e do Polo. Ela abandona todos seus amigos e familiares e segue sozinha na sua busca por Thorn e por pistas sobre como destruir Deus.

Depois do livro anterior, eu estava ansiosa para saber como seria a interação entre Ophélie e Thorn, mas o reencontro do casal demora a acontecer e como sempre, Thorn permanece frio e reservado. Porém é nesse livro que os dois vão se abrindo um para o outro e permitindo viver essa história de amor, que é rodeada de problemas.

Se o romance nos livro de Christelle Dabos demoram a acontecer é porque a autora prefere focar na construção do universo fantástico e nas conspirações políticas. A autora não poupa na hora de criar o universo das arcas, Babel é tão fascinante quanto o Polo e Anima, mas também muito diferente. E os mistérios estão cada vez mais embaralhados e nós não sabemos como os personagens vão conseguir se livrar de todos os problemas.

Mesmo estando em uma nova arca e convivendo com outros personagens Ophélie continua sendo alvo de ataques, essa protagonista nasceu para sofrer. Mas gostei muito do quanto ela evolui e como se mostrou ser digna de ser a parceira de Thorn. Acredito que veremos uma Ophélie ainda mais forte no próximo livro.

Além da narração da protagonista, temos alguns capítulos que acompanham Victoire, a filha da Tia Berenilde com Farouk, que tem um poder muito intrigante.

A cada novo livro me sinto mais e mais apaixonada pela história de Christelle Dabos e não vejo a hora de ler o próximo, que encerrará essa história. Tenho gana de descobrir os mistérios de Deus e suas criações e claro, quero saber como esse casal tão diferente vai fazer para ficar junto.

Até o próximo post!

Resenha: Kindred - Laços de Sangue

14.9.20

 

Certa vez conversando com uma colega de trabalho que é negra, ela me disse que não gostava de assistir filmes e séries que falavam sobre a escravidão, porque era algo muito dolorido para ela. Enquanto lia "Kindred" da Octavia E. Butler, essa conversa me veio a cabeça, porque no livro, Dana é uma mulher do século XX que é transportada ao século XIX, em plena escravidão, no sul dos Estados Unidos. Essa mulher livre, enfrenta as dores da escravidão, vê de perto como os negros eram tratados naquela época e até mesmo sente na pele os castigos aplicados pelos senhores de escravos.

Dana se destaca no século XIX, está muito distante daquelas pessoas, mas a mesmo tempo, está muito próxima, porque apesar de ser de outro mundo, ali ela é vista como os demais negros. Porém, ela não é aceita pelos escravos, é vista como uma negra branca, isso porque sua missão no passado é salvar Rufus, um jovem branco que é seu antepassado. Isso faz com que ela viva em um dilema constante, proteger seu antepassado branco e senhor de escravos ou ajudar os negros a se livrarem dele.

"Kindred" é um livro que machuca, escancara como as coisas eram naquela época e o quanto a escravidão destruía as pessoas aos poucos, lhe tirando tudo. Não vou dizer que é uma leitura fácil, mas é um livro tão incrível, com personagens bem construídos e com uma narrativa tão fluída e envolvente que é impossível parar de lê-lo. E até mesmo eu, que não sou uma grande fã de ficção científica, fui encantada pela escrita da Octavia Butler. Acredito que "Kindred" é uma boa porta de entrada para quem quer conhecer o gênero.

Durante a minha leitura eu refleti muito sobre a minha origem, fiquei me questionando quem eram meus antepassados e como viveram, isso porque a história de Dana mostra que nossos laços de sangue podem ter sido formados em meio a medo e dor. E por um momento, pensando sobre isso, relembrei a conversa com a minha colega e compreendi ainda mais o quanto é dolorido ver tudo o que aconteceu em um passado nem tão distante.

Ler "Kindred" foi uma experiência incrível, que me fez abrir os olhos para várias questões, daquelas leituras que terminam nos transformando. Quero muito conhecer outras histórias da Octavia E. Butler.

"A escravidão era um processo que matava pouco a pouco"
Até o próximo post!


Resenha: Desaparecidos em Luz da Lua

21.4.20

“Desaparecidos em Luz da Lua” é o segundo livro da série “A Passa-espelhos” da Christelle Dabos, e vai acompanhar Ophélie vivendo agora na corte e recém nomeada vice-contista por Farouk. Já não bastasse todos os problemas que ela enfrentou no primeiro livro, pessoas estão desaparecendo no Luz da Lua, e ela pode ser o próximo alvo.

Esse segundo livro além de ser narrado pela perspectiva de Ophélie possuí capítulos com trechos de algumas memórias de Farouk. Com essa nova perspectiva começamos a entender quem são os espíritos  familiares e mais sobre Deus.

Tal como o livro anterior, “Desaparecidos em Luz da Lua” é recheado de conspirações políticas, mas diferente do outro, o romance começa a dar as caras, claro que não é algo tão explícito, afinal, Thorn com toda sua frieza e racionalidade não demonstraria amor tão claramente. Porém, mesmo o romance aparecendo de maneira tímida teve cenas maravilhosas que fizeram com que eu ttorça por esse casal e preciso confessar que me apaixonei um pouco pelo senhor intendente.

Em questão de personagem, Ophélie desenvolveu muito, ela já não é mais aquela garota acuada de “Os noivos do Inverno”, ela está mais firme em sua decisões, se posicionando melhor e se descobrindo uma mulher cheia de talentos. Gostei demais, porque mesmo ela crescendo, podemos ver que é a mesma personagem.

Gostei muito desse livro, até mais que o anterior, e devorei as últimas cem páginas para saber o que ia acontecer, quando terminei fiquei desesperada, afinal, a editora Morro Branco ainda não publicou o terceiro livro no Brasil. Oremos para que isso aconteça logo.

Antes de terminar esta resenha, preciso pontuar que encontrei alguns erros na edição, questão de revisão mesmo, me incomodaram um pouco, mas nada que prejudicasse a leitura. Fiquei chateada porque a edição está lindíssima, mas faltou esse cuidado.

No mais, o livro é muito bom e essa série já está entrando pra minha lista de favoritos. Vale a pena dar uma chance a “A Passa-espelhos”.

Até o próximo post!
Agora que sou crítica - Design e Desenvolvilmento por Lariz Santana