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Resenha: Quando a luz apaga

2.12.19
Sinopse: "Novo livro do autor de O sorriso da hiena. Quando supostos desaparecimentos de moradores de rua chegam ao conhecimento de Artur Veiga, o detetive inicia uma investigação própria para comprovar os fatos, já que não há indícios concretos sobre os crimes. Sem desconfiar que havia um plano maior por trás da série de desaparecimentos, Artur se vê diante de um caso mais complexo do que imaginava, que o desafia em uma trabalhosa busca, levando-o para dentro de uma realidade que sobrevive às margens da vida cotidiana. Enquanto o detetive busca encontrar a verdade, um criminoso tem como objetivo expô-la, movido pelas engrenagens da própria sociedade que o criou. Dentro dela, as normas sociais limitam a felicidade, demonizam os desejos individuais e buscam oprimir o sentimento livre, utilizando o discurso da decadência de valores para solidificar os moldes de uma sociedade reprimida e adestrada."

"Quando a luz apaga" é o mai recente livro lançado pelo autor Gustavo Ávila, o livro tem como personagem principal o detetive Artur Veiga, que também é personagem do livro "O Sorriso da Hiena" que eu já li e resenhei por aqui. Nesse novo livro Artur está de férias da polícia, mas não consegue resistir ao mistério envolvendo o desaparecimentos de moradores de rua.

Esse livro é bem maior que "O Sorriso da Hiena" e pode-se ver uma evolução na escrita do Gustavo Ávila, aqui ele cria uma trama muito melhor que do livro anterior, cheia de personagens com histórias paralelas que aos poucos vão se juntando até chegar o derradeiro final e você entender o papel de cada um naquela história. O livro é bem extenso, e no começo temos vários narradores, que fazem parte da trama criada pelo o responsável pelos desaparecimentos, isso é importante para entender a cabeça do vilão, porém achei que isso fez com que o início fosse mais lento e o excesso de páginas um pouco desnecessário. Mas se o autor peca no início, no restante ele não deixa nada a dever, desvenda logo quem é o assassino na metade do livro, com uma reviravolta surpreendente, deixando que apenas o detetive Artur monte o quebra-cabeças e descubra quem é o grande vilão.

Eu adorei esse livro, achei que o autor conseguiu criar um thriller envolvente, bem amarrado e com personagens bem construídos, tendo ainda a sacada genial de fazer uma crítica a como a sociedade encara o morador de rua, logo no primeiro capítulo ele não poupa na hora de esfregar na cara do leitor, que aqueles são os alvos, porque ninguém se importa e nunca vai perceber. Além dessa crítica, ele vai mostrar muito sobre como é ter uma problema mental, ser diferente e como as pessoas lidam com aquela diferença. Um livro que não vai ser só sobre mistério e matança, mas com conteúdo relevante.

"Quando a luz apaga" foi uma leitura fascinante, que me surpreendeu e jogou várias verdades na minha cara, que livro espetacular. Vale ler suas 476 páginas. Já estou ansiosa pelo próximo livro do Gustavo Ávila.

Até o próximo post!

Resenha: Branco Letal

14.8.19
Sinopse: "O romance mais épico de Robert Galbraith escrito até então, Branco letal é ao mesmo tempo um policial emocionante e um novo episódio da história em curso de Cormoran Strike e Robin Ellacott.
“Eu vi matarem menino... foi estrangulado, no cavalo.”
Quando Billy, um jovem problemático, vai à agência do detetive particular Cormoran Strike procurando sua ajuda na investigação de um crime que ele pensa ter testemunhado quando criança, Strike fica profundamente aflito. Embora tenha problemas mentais evidentes e não consiga se lembrar de muitos detalhes concretos, há algo de sincero nele e na história que conta. Mas antes que Strike consiga interrogá-lo melhor, Billy foge de seu escritório em pânico.
Tentando chegar ao fundo da história de Billy, Strike e Robin Ellacott — antes sua secretária, agora uma sócia na agência — partem seguindo um rastro tortuoso que os leva pelas ruas do submundo de Londres, até um refúgio secreto dentro do Parlamento e a uma mansão bela, porém sinistra, no interior do país.
E durante esta investigação labiríntica, a própria vida de Strike não está nada fácil: graças à fama recente como detetive particular, ele não consegue mais agir nos bastidores, como antigamente. Além disso, sua relação com a antiga secretária carrega mais tensão do que no passado — Robin agora é inestimável para Strike nos negócios, mas a relação pessoal dos dois é muito mais espinhosa."

"Branco Letal" é o quarto livro da série do detetive Cormoran Strike e o maior deles até agora, com suas mais de 600 páginas, mas nem mesmo sendo um calhamaço nada tedioso. Esse quarto mistério investigado por Strike é tão instigante como seus antecessores. Temos um jovem com problemas mentais que jura ter visto um menino ser estrangulado, o começo de um caso cheio de reviravoltas e que só tem solução no finalzinho do livro.

Além do mistério, que é o ponto central da história, também é muito abordada a vida pessoal de Strike e Robin, que definitivamente estão muito afins um do outro, mas não tem coragem de admitir. Os dois tem que colocar pontos finais em suas histórias passadas, para que possam evoluir e começar uma nova vida. Gosto muito do autor não focar apenas em solução de casos e dá espaço para o individual de cada personagem, para que conheçamos profundamente seus sentimentos e sua personalidade.

Nesse quarto livro é possível ver que a história não é apenas de Strike, pelo contrário, Robin ´tão protagonista quanto o detetive grandalhão e vem ganhando cada vez mais espaço na hora de solucionar os casos. Acho maravilhoso ela não ser apenas a bela secretária, mas uma mulher cheia de personalidade que quer colocar a mão na massa.

Adoro a escrita de Robert Gailbraith, mesmo esse livro sendo um calhamaço, ele conseguiu me prender, fiquei desesperada para descobrir o que realmente Billy presenciou, e tive várias teorias, o que de maneira alguma tornou a leitura cansativa. Mas que fique claro que gosto desse estilo de história cheia de detalhes a la J.K. Rowling, afinal, adoro Morte Súbita.

"Branco Letal" foi aquele quarto livro que demorou a ser lançado, mas foi mais que bem recebido pra mim, eu adorei a história e já estou ansiosa para o quinto livro. Quero mais de Strike e Robin e seus casos. 

Até o próximo post!

Resenha: O Corvo

14.6.19
Sinopse: "A morte nem sempre é o fim. Em comemoração aos trinta anos de sua primeira aparição (na revista DeadWorld), O Corvo retoma sua trilha de sangue e vingança. O personagem cult que atravessou as fronteiras dos quadrinhos independentes, e foi imortalizado no último filme com Brandon Lee, acaba de ganhar sua Edição Definitiva pela DarkSide® Graphic Novel. 
Prepare-se para voltar aos becos sombrios dos anos 1980 e acompanhar a história de Eric Draven, misto de anjo vingador e anti-herói, que não descansará enquanto os assassinos de sua amada Shelley continuarem vivos.
O Corvo – Edição Definitiva reúne a história completa criada por James O’Barr, e apresenta ainda trinta páginas de artes inéditas e uma sequência que o quadrinista só se sentiria à vontade para produzir anos depois. O Corvo foi concebido pelo autor para conseguir superar a dor de perder sua noiva, atropelada por um motorista embriagado. A tragédia se aproximaria novamente do universo de O Corvo em 1993, com a morte do ator Brandon Lee, filho do mestre Bruce Lee, no set de filmagens da adaptação cinematográfica.
O Corvo continua uma referência fundamental nos quadrinhos de autor, com mais de 750 mil exemplares vendidos em todo o mundo"

Conheço a história de O Corvo por alto, pois nunca assisti ao filme, mas sei de toda a tragédia que aconteceu durante as filmagens. Então quando a DarkSide lançou a versão definitiva fiquei curiosa e principalmente apaixonada pela beleza desta HQ.

"O Corvo" vai contar a história da misteriosa figura de mesmo nome, um homem alto com maquiagem de "palhaço" que está exterminando um grupo de homens. Quando ele vai agir ele sempre faz com que eles se lembrem de um casal que eles atacara, logo fica implícito que ele era o homem que deveria ter morrido naquele dia, mas que retornou para se vingar.

O traço da HQ é lindíssimo e o tom da história é muito poético, um deleite de leitura. Você consegue lê-lo em apenas uma entada se quiser, eu fiz em ois dias, porque a história é bem intensa e violenta, então precisava de um tempo para absorver tudo aquilo.

Adorei a história e a maneira como ela é contada, a parte visual ajuda muito, principalmente nos flashbacks vividos pelo Corvo. Terminei a HQ com a sensação de que um amor muito forte pode ser também combustível para uma vingança. Já quero assistir o filme, para saber se foi digno da obra prima criada por James O'Bar.

Até o próximo post!

Resenha: A menina que brincava com fogo

2.4.19
Sinopse: "Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade, raciocina Lisbeth Salander, protagonista de A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson. O autor - um jornalista sueco especializado em desmascarar organizações de extrema direita em seu país - morreu sem presenciar o sucesso de sua premiada saga policial, que, somente na Europa, já vendeu mais de 6,5 milhões de exemplares. Nada é o que parece ser nas histórias de Larsson. A própria Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo, que sabe atacar com precisão quando se vê acuada. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados: um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes - um Colt 45 Magnum - não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça - a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis - e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados. A menina que brincava com fogo segue as regras clássicas dos melhores thrillers, aplicando-as a elementos contemporâneos, como as novas tecnologias e os ícones da cultura pop. O resultado é um romance ao mesmo tempo movimentado e sangrento, intrigante e impossível de ser deixado de lado"

Todo mundo já adorou o primeiro livro de uma série ou trilogia e quando pegou a continuação para ler ficou decepcionado porque não era tão incrível quanto o anterior,  a maldição do segundo livro,é recorrente, mas não foi o caso de "A menina que brincava com fogo", que apesar de ser a sequência de um livro maravilhoso, conseguiu ser ainda melhor.

O livro se passa algum tempo depois dos acontecimentos de "Os homens que não amavam as mulheres", Lisbeth está viajando pelo mundo e Mikael está preparando um novo volume da Millennium. Porém a história se incendeia com o assassinato de um casal de amigos do jornalista, em que a principal suspeita do crime é a hacker da tatuagem de dragão. O crime traz a tona o passado de Lisbeth e uma organização criminosa.

Desde o primeiro capítulo já me senti totalmente envolvida com a história, queria saber onde ia dar toda aquela confusão e descobrir um pouco mais sobre o passado de Lisbeth Salander. O autor pega as pontas soltas do livro anterior e vi tecendo uma história, nenhum detalhe é deixado para trás, tudo que ele escreve vai ser usado em algum momento. 

Lisbeth está ainda mais incrível nesta história, agora ela está mais madura e até mesmo consegue se envolver mais com as pessoas, mas apesar disso ela continua letal, inteligente e com uma moral impecável, porém utilizando dos seus meios de fazer justiça.

Apesar de achar Lisbeth a estrela do livro, não posso me esquecer de Mikael Blomkvist, que é sempre genial, o típico jornalista que me fez querer seguir a profissão.

Se o primeiro livro temos alguns homens que não amavam as mulheres, neste segundo a história é impregnada de machistas, estupradores, abusadores, torturadores e agressores de mulheres. Stieg Larsson não poupa na hora de criar esse tipo de personagem masculino e é impossível não se sentir repugnada com  todos os comentários pejorativos feito a mulheres ou as agressões contra elas. Como contraponto, todas as personagem femininas são fortes, inteligente, independentes e bem sucedidas em suas carreiras.

Os 20% finais do livro são de tirar o fôlego, cheios de embates e ação, terminando de maneira espetacular, que me fez querer ler o próximo logo. Terminei o livro com a certeza que esse livro é o melhor da trilogia e que vai ser difícil o terceiro conseguir ser tão maravilhoso, mas espero que ele me surpreenda tanto quanto esse.

Até o próximo post!

Resenha: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Millennium)

28.11.18
Sinopse: "O jornalista Mikael Blomkvist acaba de ser condenado e sentenciado a três meses de prisão por difamar um poderoso financista. Recebe então uma proposta intrigante: o grande industrial Henrik Vanger quer contratá-lo para escrever a biografia de sua conturbada família. Mas, sobretuto, Vanger quer que Mikael investigue o sumiço de sua sobrinha Harriet, desaparecida sem deixar vestígios há quase quarenta anos. Henrik também se dispõe a salvar a 'Millennium', revista capitaneada por Mikael, e que se encontra em risco de falência. De início contrariado, o jornalista acaba aceitando a tarefa.
Harriet desapareceu quando sua família se reunia para um encontro em uma ilha. Inteligente e sensível, a moça era a favorita de Henrik. Suspeitos não faltam, pois, se todas as famílias tem esqueletos no armário, o clã Vanger parece dispor de um cemitério inteiro. Em sua busca febril, Mikael recebe a ajuda de uma jovem e genial hacker, Lisbeth Salander, cuja magreza anoréxica só é comparável à fúria silenciosa que nutre contra a sociedade. Mas, como Mikael logo compreende, se alguém esconde um segredo torpe, é certo que Lisbeth irá descobri-lo. E, de fato, pouco a pouco, o jornalista e sua improvável parceira desvendam um verdadeiro circo de horrores.
'Os homens que não amavam as mulheres' não é apenas um do mais comentados romances policiais dos últimos anos, tendo tomado de assalto a lista dos mais vendidos dos países onde foi publicado. É uma obra de dimensões oceânicas, que se desdobra pelos mais diversos aspectos da vida moderna - os crimes de colarinho branco, a responsabilidade do jornalismo econômico com a ciranda financeira, o fenômeno da internet e da invasão de privacidade, o ódio contra as minorias. Por isso, além de seduzir com seu intrincado mistério, fornece ainda uma reflexão ética sobre a sociedade atual, sobre os segredos de cada um e a responsabilidade de todos."

"Os homens que não amavam as mulheres" é o primeiro livro da trilogia Millennium, escrita por Stieg Larsson. A princípio a história seria uma série de 10 livros, mas o autor morreu logo após terminar o terceiro livro, transformando Millennium em uma trilogia.

O livro tem várias histórias dentro de suas 522 páginas. Ele se inicia abordando duas histórias diferentes, a do jornalista Mikael Blomkvist, que está sendo condenado por uma matéria em que denunciava um grande empresário e Lisbeth Salander uma jovem hacker que vive sob a tutela do estado e está tendo problemas com seu mais novo tutor. Depois essas duas narrativas abrem espaço para uma terceira a história da família Vanger, composta de pessoas horríveis e que tem um mistério, o sumiço de Harriet uma jovem que desapareceu aos 17 anos. Por fim retomamos a história do grande empresário corrupto e a história é fechada, largando algumas pontas para sua continuação.

Os dois personagens principais da história são Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão parecidos, os dois lutam por justiça e tem um ótimo faro para desvendar mistérios. Juntos essa dupla é invencível. Mas claro, que o grande destaque do livro é Lisbeth, a jovem com uma tatuagem de dragão é cheia de mistérios, não é revelado porque vive sob tutela ou porque ela se tornou uma pessoa tão fechada. Ela é uma grande heroína com capacidades impressionantes e um senso de justiça muito forte, na verdade ela gosta de executá-la com as próprias mãos.

Para algumas pessoas o livro pode ter um início lento, para que entendamos de onde veio os dois protagonistas até se encontrarem, além de termos uma variedade de discussões sobre economia, burocracias e informações sobre a extrema direita na suécia. Eu acho tudo isso fascinante, gosto de aprender com todas as minhas leituras e esse livro é um prato cheio. 

Como o título mesmo diz "Os homens que não amavam as mulheres", a história gira em torno da violência contra mulher e os homens odiosos que fazem isso. Para quem tem gatilhos com estupros, eu não recomendo, apesar do autor não descrever muitas cenas, mas há a insinuação.

A escrita de Stieg Larsson flui muito bem e ele sabe criar um mistério como ninguém, você não consegue parar de ler até descobrir o que aconteceu com Harriet Vanger e logo em seguida quer saber mais sobre Lisbeth. É instigante e muito bem construída a narrativa, um prato cheio para os fãs  de romances policiais.

Apesar deste ser o primeiro de uma trilogia, eu achei que o livro é muito bem fechadinho e dá perfeitamente para se ler apenas este primeiro, porém desafio você a não desejar se entregar a leitura do volume seguinte. Um livro que na minha opinião é perfeito.

Até o próximo post!
Agora que sou crítica - Design e Desenvolvilmento por Lariz Santana