24 agosto 2015

Resenha: 9 e 1/2 Semanas de Amor

Sem nos anos 2000 a mulherada queria encontrar um Sr. Grey, na década de 80 todas queriam viver um romance erótico como o de 9 e 1/2 Semanas de Amor. O filme foi um sucesso e fazia a mulherada suspirar pelo Mickey Rourke (hoje em dia o povo se assusta com a feiura dele), mal sabiam elas que o romance da estória não foi bem daquele jeito, e que o caso de apenas 9 e 1/2 semanas foi um relacionamento sado, muito antes do de Christian e Anastasia.


Sinopse: "Elizabeth McNeill era uma executiva em uma grande corporação quando começou um tórrido romance com um homem que conheceu por acaso. A excitação sexual dos dois era tão intensa que, à medida que o relacionamento progredia, eles se jogavam em variações cada vez mais perigosas e elaboradas daquela fantasia – até Elizabeth renunciar todo o controle sobre seu próprio corpo e mente."

Esqueça tudo que você sabe sobre "9 e 1/2 Semanas de Amor", porque o filme se distancia demais da estória deste livro. A primeira coisa que você precisa saber é que essa estória é um relato real da autora Elizabeth McNeill, que usou de um pseudônimo para contar um caso amoroso que ela viveu na década de 70. O livro é narrado em primeira pessoa e nada se assemelha a narração dos famosos livros eróticos atuais, não há enrolação e descrições romantizadas, é tudo descrito de forma direta, mas consegue te envolver e fazer com que você queira saber cada vez mais o que vai acontecer.

Elizabeth em nenhum momento nomeia o seu amante ele é apenas tratado como ele, descobrimos o que ele veste, o que como, o que lê e suas preferências sexuais, mas nunca sabemos seu nome, com que ele trabalha e como ele é. Essa incógnita que ele é nos instiga e quando vemos que ele pode ser qualquer homem que passa pela rua, o livro se torna mais interessante ainda.

A maneira como as memórias vão sendo expostas você vai vendo a entrega de Elizabeth você vai prevendo que uma hora ela não vai aguentar tudo aquilo, que ela vai se perder naqueles jogos. E quando eu digo jogos, não pensem que são apenas 10 cintadas na bunda, são humilhações, são lágrimas, marcas e sangue. Ele é masoquista, gosta de ver sua parceira sentir dor, ele gosta de jogos, de obediência, de algemas, vendas e de cuidar. Mas os cuidados não são visto como uma devoção e paixão, é como se ele tivesse tirando todo o poder que ela tem sobre seu corpo, ela não faz nada sem ele. Seu amante domina a mente e o corpo dela, ele é um completo dominador e ela sua submissa.

Gostei muito do livro, vimos aqui quanto um relacionamento tão intenso pode ser prejudicial, diferente dos diversos livros eróticos atuais, em que todo esse envolvimento é encarado como algo natural e saudável. Em apenas dois meses você não ama ninguém, você apenas se apaixona, e com Elizabeth foi isso que aconteceu, ela se apaixonou, ficou obcecada, envolvida totalmente pelos jogos de sedução e humilhação, e acabou não aguentando tudo isso. Daqueles livros para você ler e entender de verdade o que é o sadomasoquismo.

Até o próximo post!

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