18 julho 2016

Resenha: Wicked

E você passa a vida toda acreditando que a Bruxa Má do Oeste é uma pessoa horrível que perseguiu a Dorothy por Oz, mas um dia um livro há muito esquecido no Brasil te mostra que a bruxa pode ser apenas alguém incompreendida. 


Sinopse: "Imagine acompanhar a clássica e prestigiada história de O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, pela perspectiva de Elfaba, a Bruxa Má do Oeste! Em Wicked, Gregory Maguire nos proporciona essa chance de conhecer o outro lado da moeda, e mergulhamos novamente no fantástico mundo da Terra de Oz.

Neste livro, descobrimos todos os detalhes da vida da garota de pele verde que cresceu cercada de desafios e preconceitos, até se tornar uma bruxa infame uma esperta, irritadiça e incompreendida criatura que põe à prova todas as noções sobre a natureza do bem e do mal. A improvável amizade da Bruxa Má do Oeste e Glinda, a Bruxa Boa do Norte, donas de personalidades tão opostas que se tornam melhores amigas; a rivalidade das duas ao se interessarem pelo mesmo homem; e a reação ao governo corrupto do Mágico de Oz também estão no foco de Wicked. 
A obra de Gregory Maguire arrebatou milhões de pessoas em todo o mundo e baseou um musical na Broadway, que, desde sua estreia, em 2003, já quebrou diversos recordes e conquistou muitos prêmios, incluindo o Tony Awards, considerado o Oscar do teatro. Em 2016, o musical estreou em São Paulo."

Descobri Wicked em um vídeo da Tati Feltrin no youtube já faz algum  tempo, porém não encontrei nenhuma versão em português para que eu pudesse ler. Mas, depois de uma longa busca, finalmente uma editora resolveu relançar o livro no Brasil. A Leya aproveitou o boom do musical no Brasil e trouxe a estória da Bruxa Má do Oeste em uma edição muito linda.

A primeira coisa que todo mundo precisa saber antes de pegar "Wicked" para ler, é que é um livro de fantasia adulto, mesmo se tratando da estória dos personagens de "O Mágico de Oz". A estória da bruxa vai ser bem pesada e vai tratar de temas delicados, mas o livro trata-se principalmente de uma crítica política, quase uma distopia.

O livro é dividido em três partes, a primeira, Munchkins, vai contar o nascimento da Elfaba e sua infância. Vamos conhecer os pais dela, em que temos uma mãe adultera e um pai que é um líder  religioso decadente. A segunda Gillikins vai retratar a vida dela na universidade de Shiz e como ela conheceu a bruxa boa, Glinda. A terceira é A Cidade das Esmeraldas, quando ela é uma jovem rebelde que luta por seus ideais. A quarta é Nos Vinkus, quando ela vai em busca de perdão e redenção depois dos seus dias de militância. E por fim O assassinato e a vida após a morte, que vai mostrar o encontro da bruxa com a Dorothy.

A escrita do Gregory Maguire é muito deliciosa e quando você pega o ritmo, não consegue mais parar de ler. Claro, que os primeiros capítulos são mais arrastados, afinal, estamos sendo introduzidos naquele universo e algumas explicações tem que ser dadas, mas com o tempo você se acostuma com tudo e se envolve com a estória.

As personagens do livro são muito bem construídas, mas a estrela de Wicked é a Elfaba, uma personagem feminina forte, que se incomoda com as injustiças, não se cala quando precisa reivindicar, que luta por seus ideais, mas ao mesmo tempo uma mulher atormentada pelo escarnio e o desprezo que lhe dedicaram, apenas por ela ser diferente. Claro que temos várias personagens interessantes, Glinda a patricinha arrogante, Nessarose a falsa santa, Fiyero o príncipe infeliz no casamento arranjado, Boq e suas paixões, Liir a criança que só quer ter um pai.  Todos cheios de camadas bem amarradas.

O livro tenta explicar a origem do mal, mas acredito que não foi só isso, o livro explicou sobre incompreensão, preconceito, a indiferença e a manipulação. Elfaba não foi a origem do mal, mas todos que estavam a sua volta sim.

Gostei muito do livro e espero que a Leya lance as continuações aqui no Brasil, porque quero muito ler Son of the Witch e descobrir o que aconteceu com o Liir. Fantasia de qualidade, com algo a mais do que um universo mágico. Já quero ver o musical, mesmo sabendo que ele se distancia do livro.

Até o próximo post!

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