20 junho 2016

Resenha: Persuasão

Gosto muito da escrita da Jane Austen, meu livro preferido dela é "Orgulho e Preconceito", adoro tanto o livro e o filme que tenho uma tatuagem inspirada nele. Há muito tempo quero ler mais coisas dela, por sempre acreditar que gostaria de todos os livros. Alguns anos atrás tentei ler "Emma", mas não passei da página 10, finalmente resolvi dar mais uma chance a autora e li o último livro dela, "Persuasão".


Sinopse: "Aos 19 anos, Anne Elliot tem a chance de viver feliz para sempre: ela é pedida em casamento pelo homem que ama, Frederick Wentworth, um jovem oficial da Marinha, inteligente e ambicioso. Porém, Anne é persuadida a romper o noivado, pois a união da filha de baronete com um oficial não seria vista com bons olhos pela sociedade inglesa no início do século XIX.
Aos 27 anos, entretanto, Anne continua solteira e sua família encontra-se endividada devido aos excessos de Sir Walter, seu pai. A casa ancestral dos Elliot é alugada ao almirante e os novos inquilinos são o almirante Croft e sua esposa, que por acaso é irmã de Wentworth. Anne reencontra seu antigo amor, agora um distinto e rico capitão.
Persuasão não é apenas uma crítica mordaz de Austen à vaidade e à pretensão, mas também uma comovente história sobre perdão, amor e segundas chances."

"Persuasão" é um dos livros mais maduros e sérios da Jane Austen, nós não temos a leveza das piadinhas ou os momentos de alívio cômico, temos aqui uma estória sobre amor, decisões ruins, manipulações e, claro, persuasões. O tempo todo as personagens vão manipular umas as outras ou persuadir alguém a fazer algo. Claro que o livro se torna mais sério por mostrar uma jovem de 27 anos que sofre por ter abandonado o amor de sua vida, depois de ser persuadida a não se casar, apenas pelo fato do jovem ser pobre. Anne guardou o amor por Wentworth por 8 anos e acabou se tornando uma jovem bem melancólica e apagada.

Anne dá a melancolia ao livro, mas acho que o fato dele ser denso se tem principalmente pela gama de personagens detestáveis, isso mesmo, Jane Austen se superou e criou uma corja de pessoas horríveis que se importam apenas consigo mesmas, são vaidosas e ardilosas. Durante toda leitura me incomodava com o pai vaidoso de Anne, a irmão metida, a irmã caçula egoísta e histérica, o primo metido, todos eles me irritavam, principalmente quando postos lado a lado da protagonista, que está sempre disposta a ajudar, ser simpática e doce com todos que conhece.

O romance entre o casal demora a acontecer, durante todo livro você escuta os sentimentos de Anne e a vontade que ela tem de que Frederick Wentworth a perdoe por sua decisão há 8 anos, em breves momentos notamos que ele também se importa, em simples gestos de ciúme ou de carinho com ela. Mesmo tendo alguns relances do amor que ele sente por ela, em vários situações enxergamos um homem ressentido por ter sido desprezado e que tenta se vingar, mas ele falha miseravelmente e quando decide confessar seu amor é digno de todas as personagens masculinas que Jane já criou.

Gosto dos livro da Jane Austen, porque ela fala de romance, mas sempre dá uma cutucada na sociedade regencial. Mesmo tendo mais de 200 anos, o livro dela tem várias críticas que caberiam muito bem no século XXI, afinal, em qualquer época temos pessoas vaidosas, egoístas e interesseiras.

"Persuasão" não ganhou meu coração como "Orgulho e Preconceito", mas foi uma leitura muito prazerosa e com certeza vou reler a estória de Anne Elliot e Frederick Wentworth, que mostra mais uma vez que Jane Austen sabe escrever estórias de amor como ninguém, sem precisar derramar açúcar por todos os cantos, mas com personagens de personalidade e medida certas de críticas.

Até o próximo post!  

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