Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura brasileira. Mostrar todas as postagens

Resenha: Iaiá Garcia

11.6.20
“Iaiá Garcia” é o último livro da fase romântica do Machado de Assis e foi publicado em 1878 em formato folhetinesco no jornal O Cruzeiro. A história é a seguinte, Jorge, filho de Valéria, é apaixonado por Estela, protegida de sua mãe, que também nutre uma paixão por ele, mas o rechaça. Após uma trama de Valéria os dois acabam separados e Estela se casa com Luís Garcia, pai de Iaiá, que anos depois fica noiva de Jorge. 

O livro é bem curto, tem por volta de 150 páginas e a leitura é bem fluída. A história tem poucos personagens e se aprofunda mesmo no triângulo amoroso, Estela, Jorge e Iaiá. A trama é cheia de reviravoltas e faz com que fiquemos curiosos com como aquele imbróglio termina. Porém, não é um dos melhores livros do autor, dessa fase ainda prefiro “Ressurreição“ .

Apesar de a história não ser apenas sobre Iaiá Garcia, o livro recebeu sei nome, o que acho justo, afinal, a jovem é de longe a personagem mais interessante da história. Iaiá é inteligente e cheia de personalidade, ela não esconde o que pensa e faz de tudo pela família. Ela tem Grace devoção pelo pai e um carinho enorme pela madrastra e muitas vezes se sacrifica pela felicidade dos dois. E da metade para o fim ela domina toda história, então por isso acho que o autor dá sei nome como título da obra.

Mesmo o livro sendo da fase romântica, Machado já dava indícios de sua veia realística, não é apenas uma história de amor, vai além. Daquelas histórias em que você não termina com o coração aquecido, mas com um sabor amargo na boca, com a impressão de que apesar de tudo, não foi um final feliz.

Até o próximo post!

Resenha: Crônica da Casa Assassinada

31.7.19
Sinopse:"Crônica da casa assassinada" é a história de uma família em franca derrocada social e moral. Uma história que somente é conhecida pelo relato de seus próprios personagens, por meio de cartas, diários, memórias, confissões, depoimentos, e cujos temas centrais são o adultério e o incesto, a loucura e a decadência. Numa linguagem altamente metafórica, monta-se um esquema estruturalmente complexo, no qual verdade e mentira chegam aos limites do paroxismo.”

Há 9 anos atrás tive meu primeiro contato com “Crônica da Casa Assassinada”, livro do Lúcio Cardoso, publicado em 1959, quando prestei vestibular da UFMG pela primeira vez. Já naquela época, com os meus 19 anos, gostei do livro e de sua história cheia de intrigas, mentiras, ciúmes, inveja, rancores e traições. Porém só agora tive coragem de pegar o livro para reler, e grata foi a surpresa de que a história continuou me agradando, desta vez até mais que da primeira.

O livro narra através de cartas, diários e depoimentos a decadência e extinção da família Meneses, um tradicional família do interior de Minas Gerais. Todo o declínio da família começa quando Valdo, o filho do meio, se casa com Nina, uma jovem do Rio de Janeiro. Nina é totalmente diferentes de todos que vivem na chácara da família e como um furacão, chega para balançar aquele local.

O enredo não é linear, muitas vezes vai e volta no tempo, e apenas uma versão de um fato, uma vez que o narrador é personagem naquela história, e como bem sabemos, narrador personagem não é muito confiável. Só com a chegada do final da história é que todas as cartas são colocadas na mesa e que entendemos como aquela família chegou aquele ponto.

A história é muito boa, cheia de reviravoltas e mistérios, então é impossível não devorar o livro, pra vê até onde aquelas pessoas vão chegar. O livro, apesar de ser dos anos 50 é muito fácil de entender, por isso a leitura flui muito bem.

Um ponto forte deste livro são os personagens todos são muito bem construídos, cheio de camadas e complexos. Outra coisa interessante a respeito dos personagens é que ninguém ali são 100% bonzinhos, eles são muito reais, cheios de defeitos e com atitudes terríveis, mas mesmo assim é impossível não se interessar totalmente por eles.

Gosto de todos os personagens, mas digo isso, porque até mesmo aquele que mais odeio eu consigo ver a beleza na criação feita por Lúcio Cardoso e por isso mesmo consigo gostar daquele personagem. Gosto de Timóteo, o irmão que se esconde no quarto, com certeza meu personagem preferido, gosto de sentir pena de Valdo, o pobre irmão que só cometeu o erro de se apaixonar pela mulher errada, gosto do misterioso Demétrio, com sua raiva por Nina, gosto de detestar Ana, aquela mulher invejosa e rancorosa, gosto da intensidade do André, pobre pecador, e gosto desta vez um pouco menos de Nina, essa mulher cheia de vontades e um pouco cruel.

O livro é todo bom, mas em seus momentos finais alcança a perfeição, é angustiante, claustrofóbico e doentio a sucessão de acontecimentos que levam ao derradeiro fim da família Meneses. O autor conseguiu deixar a maior surpresa da história para o último capítulo, para ser mais exata em seus últimos parágrafos e é chocante ver o que o rancor foi capaz de causar.

“Crônica da Casa Assassinada” é um livrão, daqueles que merecem ser lidos, mesmo aquelas pessoas que viram a cara para literatura brasileira precisam conhecer essa história incrível. Com certeza entrou para a lista de melhores livros que eu já li na vida.

Até o próximo post!

Resenha: A Mão e a Luva

4.4.19
Sinopse: "Publicado inicialmente em formato de folhetim, A mão e a luva saiu pela primeira vez em livro em 1874. Nesta obra, Machado apresenta ao leitor uma de suas tramas mais românticas: Guiomar, uma moça de infância pobre adotada pela madrinha rica, tem que se decidir entre três pretendentes. Essa dúvida envolve o conflito permanente entre a emoção e a razão, no qual está em jogo o futuro dessa mulher forte e decidida. Machado utiliza as reflexões de Guiomar para construir um perfil genial de toda a alta sociedade, na qual não há espaço para sonhadores e ingênuos."

Em "A Mão e a Luva" temos Guiomar, jovem de personalidade forte e muito racional, que tem que escolher um dos seus três pretendentes, Estevão, Jorge e Luís Alves, aquele que mais se parece com ela que quando estiverem juntos serão como a mão e a luva, perfeitos um para o outro.

Guiomar é o centro da narrativa, uma jovem órfã que é adotada pela madrinha rica e por isso vive devotada a ela. A moça é ambiciosa e pensa em cada passo que dá, para conseguir o que deseja, sempre sendo controlada e racional. Mas se para alguns Guiomar pode ser uma mulher arrogante, que passa por cima de tudo para chegar onde deseja, pra mim ela foi bastante interessante. Gosto da maneira como ela é, que sabe muito bem manter as emoções escondidas e que tem aspirações grandiosas, apesar da vidinha que leva. Uma mulher cheia de camadas e encantadoramente forte e decidida, do jeito que só Machado de Assis sabia fazer.  

Os pretendentes de Guiomar pouco tem a acrescentar na história, pois aparecem em vislumbres, quando declaram seu amor ou demonstram atração pela jovem de olhos castanhos. Temos um romântico, um bon vivant e um jovem em plena ascensão, tão diferentes um do outro até mesmo na hora de declarar seu amor, mas para Guiomar não bastam apenas belas palavras, o seu par tem que ser audacioso.

Acho "A Mão e a Luva" um belíssimo livro, que apesar de ser de "época" consegue ser bem atual, principalmente, nos dias de hoje, em que as pessoas buscam cada vez mais pares que compartilhem de suas ambições. Claro, que consegui enxergar além da racionalidade do casal principal uma nesga de amor, afinal, existe entre os dois uma admiração, que causa inquietação e curiosidade. Algo que lá na frente pode se tornar em amor, talvez. 

O livro é curto e muito fácil de ler, em três dias devorei a história, queria saber como que aquele quadrado amoroso iria parar. Machado de Assis em vários momentos me enganou, fazendo crer que iria tomar um caminho, mas lá na frente o desfecho foi outro. E por falar em desfecho que belo desfecho, adoro a maneira como ele termina a história com "Ajustavam-se ambas, como se aquela luva tivesse sido feita para aquela mão...". Sensacional.

Até o próximo post!



Resenha: Todos os Romances e Contos Consagrados de Machado de Assis (Volume 1) - Ressurreição

2.4.18
Sinopse: "Para casar com Félix, Lívia tem de estar pronta para perdoar sempre. São constantes as incertezas e o ciúme do amado. A jovem viúva seria capaz de pagar esse preço por sua paixão? Em Ressurreição, Machado de Assis investiga os sentimentos de um casal envolvido num relacionamento complexo. Através de uma história simples, revela aspectos profundos da psicologia humana."

Começamos a leitura das obras de Machado de Assis pelo seu primeiro romance, "Ressurreição", que vai contar a história de Félix e Lívia, ele um médico que nunca acreditou nos relacionamentos e ela uma jovem viúva com o coração sempre disposto a dar amor. Os dois começam a se relacionar despretensiosamente e acabam em um forte relacionamento cheio de idas e voltas, devido as desconfianças e o ciúmes contante de Félix. Ou seja, temos aqui mais uma história sobre como a falta de confiança pode destruir uma amor. Qualquer semelhança com um outro romance de Machado de Assis, é uma mera coincidência, ou talvez, "Ressurreição" fosse o prólogo para "Dom Casmurro".

O livro é bem curto e a história não é complexa em sua narração, mas para um primeiro Romance, Machado já chegou destruindo. Enquanto lia o livro a sensação que tinha era de incomodo, Félix que era o homem cheio de antigos amores, vivia a desconfiar de Lívia, uma viúva que dedicava a vida ao filho e a ele. Engraçado pensar que um livro tão antigo, tenha um tema tão atual, afinal, que não conhece algum casal que vive aos términos?! 

Machado de Assis planta aqui a sementinha de que quando a pessoa é muito desconfiada, ela não consegue ser feliz, seja em qual for o momento ou com quem esteja, a confiança é a base do relacionamento e também da felicidade.

O livro é simples, claro que com uma linguagem adequada com a época em que foi escrito, então para algumas pessoas isso pode se tornar um empecilho, mas sinceramente, nada que um bom dicionário ou até mesmo o google não possa te ajudar. Não acho que um vocabulário mais complexo seja um problema para você perder a chance de ler um livro tão incrível.

No mais, o livro é muito bom, com um final que eu até engoli seco, achei bem pesado, mas digno da genialidade do Machado, que desde seu primeiro romance cria histórias maravilhosas e tão verdadeiras. Um livrão!

Até o próximo post!

TBR de Março de 2018

4.3.18
Até o próximo post!

Resenha: Mundo de Dragões

23.11.17
Sinopse: "Liderados por um ranger americano e protegidos pela tecnologia criada por anões-alquimistas, um grupo de cinco pessoas sobrevive ao Cemitério, uma terra devastada por reptilianos, demônios e escravidão, e retorna para casa apenas para descobrir que eles levaram todo esse horror para a própria dimensão. Assim os dragões chegaram à Terra. Cidades foram queimadas, o pânico foi instaurado e líderes governamentais ficaram em choque diante de justiceiros que não respeitavam bandeiras nem fronteiras. Agora, um portal se abriu e a conexão entre as dimensões se fez. Em florestas de metal ou em bairros de concreto, gigantes de pedra e exércitos de monstruosidades espalham a devastação. Sem uma liderança clara, os cinco sobreviventes enfim se preparam para uma última batalha no coração do Japão. De um lado haverá um demônio-bruxa, crias infernais e Colossus de pedra. Do outro, armaduras de metal-vivo, sangue de dragão e robôs gigantes. Batalhas épicas e dramas intensos compõem Mundos de Dragões, terceiro e último livro da série Legado Ranger, um universo inspirado em uma versão adulta, violenta e politizada das antigas séries japonesas Tokusatsus, que marcaram a infância de toda uma geração."

Chegamos ao último livro da trilogia Ranger, que é uma história cheia de referências a outras história fantásticas. Na verdade, gosto de descrever da seguinte maneira, uma junção de Caverna do Dragão e Power Rangers, que com certeza vai agradar aos fãs desses dois universos.

Em "Mundo de Dragões" vamos entender o que aconteceu no cemitério antes da fatídica cena final do livro anterior e ao mesmo tempo os efeito de Ravenna na terra. Não tem preparação nem nada, já começamos cheio de revelações, reviravoltas e ação. O livro tem um ritmo bem acelerado, principalmente, por sua gama de batalhas. E por falar em batalhas, Raphael Draccon faz isso com maestria, parecia que eu estava assistindo um filme, não é atoa que ele está em Los Angeles trabalhando como autor.

Gostei muito desse terceiro livro, que apesar de ser mais cheio de ação não deixou que mostrasse as questões internas de cada personagem, que vieram desde "Cemitério de Dragões" com problemas e aos poucos forma enfrentando isso e assumindo seu verdadeiro papel naquele esquadrão. E como um todo o Raphael focou muito em união e a importância de se trabalhar em grupo.

E a história dos rangers que ressurgiram do Cemitério chegou ao fim de uma maneira muito bom, fechando muito bem a trilogia, sem deixar pontas soltas, mas plantando no final uma pequena semente, que você precisa ler pra saber. Gostei muito do que aconteceu com cada um, depois de tudo que eles viveram e cresceram nos outros dois livros. Legado Ranger é um daqueles livros para os fãs de aventura com muita referência do mundo nerd, que vai te fazer surtar, sorrir e torcer pelos personagens principais.

Até o próximo post!


Resenha: O Sorriso da Hiena

11.9.17
Sinopse: "É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas.
Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade."

"O Sorriso da Hiena" do Gustavo Ávila foi publicado pela primeira vez de forma independente e nessa época já foi um sucesso, lembro de ver diversos booktuber comentando o quanto era incrível a história criada pelo Gustavo. Então você imagina que eu comecei a leitura cheia de expectativas e não fui decepcionada.

O livro vai começar com um casal sendo assassinado de forma brutal na frente do filho, 20 anos depois essa cena se repete, só que agora o garotinho que assistiu tudo está no lugar do assassino, que se tornou um serial killer. No encalço dele temos o detetive Arthur, que é excepcional no que faz e tem a síndrome de Asperger, e ele vai contar com a ajuda do psicólogo Willian, que é especializado no tratamento de crianças que sofreram traumas. E vou parar por aí para não estragar o desenvolvimento da história.

Gustavo Ávila escreve muito bem e o que mais me chamou atenção em sua escrita foi o fato dele não dar características regionais a sua história, que pode se passar tanto no Brasil como em qualquer lugar do mundo. O autor cria uma rede de acontecimentos todos entrelaçados que nos levam ao um final digno de um bom thriller.

Claro que o livro não é perfeito, temos alguns pontos em que eu fiquei incomodada, por exemplo, um momento de um assassinato em que ele só é notado alguns dias depois, sendo que o personagem é ativo na história. E claro, o fato de tudo dar muito certo para o assassino, mas essa questão eu até perdoo, porque acabei me afeiçoando ao "vilão" da história. Ah, isso foi uma das coisas que me fez gostar do livro, temos um personagem que tem motivos para ser tão cruel como é e isso pra mim sempre é válido.

'O Sorriso da Hiena" é um ótimo livro e eu tenho certeza que ainda vamos ouvir falar bastante do Gustavo Ávila, que tem tudo para ser um dos grandes nomes da literatura contemporânea brasileira. E espero que a Globo faça algo bem digno com os direitos desse livro, adoraria vê-lo em uma série de TV.

Até o próximo post!

Resenha: Jantar Secreto

13.2.17
Sinopse: "Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles."

Finalmente Raphael Montes escreveu um novo livro, e como sempre temos uma história cheia de mistérios, reviravoltas e personagens odiosos. Exatamente, eu sempre tenho muita dificuldade em sentir empatia pelos personagens dele, mas em "Jantar Secreto" foi ainda pior, cada um pior do que o outro e olha que temos um grupo de amigos bem diversos.

Já comentei em outras resenhas de livro do Raphael que gosto muito da escrita dele, porém alguns pontos me incomodavam, mas nesse novo livro é possível ver claramente o amadurecimento da escrita dele. Claro, que a assinatura dele está bem ali, você pega o livro e rapidamente identifica que é dele, mas agora ele se afasta de clichês e de erros cometidos nos livros anteriores.

Pra mim um dos pontos fortes desse novo livro é que a história é muito trash, então ao mesmo tempo que tem toda aquela tensão, ele conseguiu fazer a gente rir. É tudo tão surreal ou até mesmo real, afinal, temos deep web para nos lembrar de que tudo é possível. Gosto muito de todo desenrolar e o final eu curti bastante, mas não vou negar que por meio das pistas consegui desvendar um certo mistério da história faltando 100 páginas.

Concluindo, o livro é viciante, tal como carne de gaivota, é divertido e digno de um filme de Quentin Tarantino (assista Os oito odiados). Ou seja, temos mais um livro incrível do Raphael e que pra mim foi o melhor até agora.

Até o próximo post!

Resenha: Dois Irmãos

9.1.17
Eu sou daquelas que adora uma adaptação, no cinema ou na TV, eu sempre vou assistir todas. E a Globo é especialista em fazer adaptações literárias no brasil, com suas minisséries maravilhosas, e se no ano passado foi "Ligações Perigosas" que mexeu com o meu coração, esse ano as prévias de "Dois Irmãos" me enlouqueceram. Ma diferente do ano passado eu quis ler o livro antes da adaptação e me deparei com a incrível história de Yaqub e Omar.


Sinopse: "Dois Irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino - o filho da empregada - narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance."

"Dois Irmãos" vai contar a história da família de Zana e Halim, descendentes de libaneses que se conheceram  em Manaus, se apaixonaram, casaram e tiveram três filhos, dois deles o gêmeos Omar e Yaqub. A história é narrada pelas as lembranças das personagens e não seguem uma ordem linear, e temos um narrador que no começo não é revelado, mas que aos poucos nos conta qual a ligação dele com aquela família.

O livro vai retratar principalmente a relação conflituosa de Omar e Yaqub, que mesmo sendo idênticos, são bem diferentes na personalidade. O conflito dos dois é causado principalmente pela má relação deles com a família, Omar é idolatrado pela mãe e rechaçado pelo pai, enquanto Yaqub recebe o respeito de todos, mas lhe falta carinho. Então basicamente teremos uma família cheia de problemas e que não tem nenhum membro que seja o certo ou até mesmo o errado.

Como pano de fundo da briga entre irmãos teremos a ditadura militar, que geralmente só é retratada em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, então temos um vislumbre de como Manaus foi atingida pelo regime.

O livro é uma delícia de ler, você devora todas as páginas a espera de descobrir o mistério que envolve o narrador e os desfecho da briga entre Omar e Yaqub. Porém temos uma história que gera incomodo e em diversos momentos você vai querer apoiar alguém, para logo em seguida não concordar com suas ações.

Gostei muito do livro e estou super ansiosa para ver Cauã Reymond na pele de Omar e Yakub, porque afinal, a Globo sabe como adaptar bem os livros.

Até o próximo post!

Resenha: Triângulo de 4 Lados

2.1.17
Quem já teve uma paixão platônica e que viveu suspirando e idealizando um relacionamento com o príncipe encantado vai ler "Triângulo de 4 Lados" e pensar: "Eu já fui a Sara".
Sinopse: "Unhas mal pintadas de preto e camisas de bandas. Ela ama O Diário de Bridget Jones, chocolate, e a banda Misfits. Odeia trovões, lágrimas, e ser chamada de criança. Sara Alcântara tem 17 anos e, como qualquer garota de sua idade, tem um relacionamento de amor e ódio com a mãe, com seus estudos, e com a própria vida. Ama suas amigas, que são seu suporte, e sua base. Tira boas notas na escola, por obrigação, mas deseja ser artista, porque pintar é sua verdadeira vocação.
Até aquela paixão adolescente, platônica, ela possui. Ele tem nome, sobrenome, e grau de parentesco. Rodrigo Guano é seu primo, e sonho de consumo de toda a população feminina da pequena cidade de Santa Fé, onde moram. Tudo muda quando ele a beija pela primeira vez. Então o mundo pode acabar, regimes podem cair, terremotos podem engolir a terra em rachaduras intermináveis, e Sara ainda estaria feliz. Ou assim ela pensa ser, até que viaja para Paris, para passar as férias. Quando volta, tudo está diferente, inclusive ela. Sara se vê inserida num triângulo amoroso... Ou seria um quadrado?"

"Triângulo de 4 Lados" é a típica história em que fulano ama beltrano, mas esse é apaixonado por ciclano, porém aos invés de termos apenas um triângulo amoroso, mas um quadrado amoroso. Isso, mesmo, a nossa personagem principal, Sara Alcântara é apaixonada pelo primo Rodrigo, o irmão do Rodrigo, Brent é apaixonado pela Sara, o Rodrigo só ama a si mesmo e temos também Matheus, um cara muito legal que entra no meio desse triângulo.

A Sara é a adolescente que nutre uma paixão platônica, ela suspira e fica criando cenas dela e do Rodrigo juntos, porém ela acaba idealizando um cara que na verdade não existe, por isso não enxerga o Brent, que gosta de verdade dela. Durante todo o envolvimento dela com o Rodrigo eu só pensava que ela estava se metendo em uma grande enrascada, porque ele é muito egocêntrico, imaturo e babaca, e toda vez que o Guigo aparecia eu tinha vontade de cortar os pulsos, de tamanha preguiça dele. Mas mesmo assim, eu entendia o lado da Sara, os sentimentos dela eram bem reais, então é fácil você sentir empatia. Do outro lado do triângulo temos o Brent, que é uma pessoa bem difícil, porque ele tem toda aquela pose de insensível, mas nutre uma paixão muito bonita pela prima. Matheus é o quarto elemento, que para mim não tem nada a ver, foi inserido só para gerar mais conflito em toda a história.

A narração do livro é bem diferente da que encontramos em livros YA contemporâneos, no começo da leitura até estranhei, principalmente, quando  a Sara, uma garota de 17 ano, diz a palavra efêmero, mas com o tempo você se acostuma com a escrita da Fernanda Medeiros e da Adelina Barbosa.

O livro é cheio de reviravoltas e conflitos, na verdade sempre tem alguma coisa para complicar a vida da Sara, isso me cansou um pouco, mas entendo que é para movimentar a história. Mas o que mais me incomodou foi o fato de que o período que ela viajou não foi contado no livro, me deixou com a impressão de que a vida dela só é interessante quando está em meio a confusão amorosa. O conjunto da obra é bem legal e as últimas páginas não me deixaram parar de ler. Um YA contemporâneo bem real e envolvente.



Até o próximo post!

TBR de Janeiro

1.1.17
Para começarmos 2017 com o pé direito, vamos falar sobre as leituras que pretendo fazer em Janeiro. Como o primeiro mês do ano será mais longo que os outros, com cinco semanas, teremos um lista de cinco livros. 



Até o próximo post!

Resenha: Aos Teus Pés (O Jogador e a Bailarina #1)

26.9.16
Hoje o post não é apenas sobre um livro, mas uma lição sobre você identificar o seu tipo de literatura e sobre ressaca literária.


Sinopse: "A vida nunca foi fácil para Marina Casanova, mas ela sempre devolveu na mesma moeda. Apesar da grande insistência de seu pai em ser um cara arrogante e persuasivo das formas mais improváveis e cruéis, ela jamais desistiu dos seus sonhos e foi por isso que deixou para trás a sua vida na cidade de Sacramento, com destino ao seu grande objetivo na capital, São Miguel. Era para ser tudo como ela planejou: treinar, dedicar-se e então ser admitida como uma bailarina profissional na mais conceituada e famosa escola e companhia de dança do país, a Special Corpus Ballet. Mas quis o destino que Frederico, mais conhecido por seus amigos e fãs como Fred, o cara mais popular do time de futebol da Universidade de São Miguel, cruzasse o seu caminho, trazendo com ele descobertas, confusões, outras opções e sentimentos às vezes contraditórios, mas acima de tudo, verdadeiros.
Para Frederico Lamarck, um rapaz bonito, dedicado ao esporte e apaixonado por sua família, Marina é tudo aquilo que ele nunca soube estar esperando e ao mesmo tempo tem certeza de que ela terá a chave de muitas respostas que ele precisa. Prestes a ser reconhecido como o maior jogador da história de sua universidade, Fred, além de apaixonado, vê a vida lhe encurralando e o obrigando a admitir para todos coisas que jamais pensou fazer. E, claro, a pagar pelas escolhas erradas que um dia fez."

"Aos Teus Pés" é o primeiro livro da duologia "O Jogador e a Bailarina" e vai contar a estória de Marina Casanova e Frederico Lamarck. O livro é um romance com altas doses de drama, então vamos ter como foco principal o relacionamento dos dois e em vários momentos eles vão passar por vários problemas durante toda a narrativa.

O livro não é mal escrito, principalmente se pensarmos que ele é o livro de estréia da Michelle Passos, porém algumas coisas ainda precisam ser acertadas, como por exemplo a identificação do ambiente. Durante toda a leitura não consegui identificar se a estória se passava no Brasil ou fora, em vários momentos as características da universidade onde o Frederico Lamarck estuda me lembrava as universidades norte americanas, ou quando o casal principal chamava um ao outro de baby (quem chama as pessoas de baby no Brasil?!), mas aí entrava um Jota Quest na estória e eu me perdia novamente. Então foi difícil criar São Miguel na minha imaginação.

Mesmo com os problemas de identificação o livro não perde para diversos outros romances do mesmo estilo que são sucesso de vendas pelo mundo, temos um casal que passa por dificuldades, mas que encontram um porto seguro nos braços um do outro, um plot bem usado. Porém mesmo sendo clichê, a leitura fluí muito bem e as 300 e poucas páginas passam bem rapidinho, com um final que deixa em aberto para o próximo livro.

As personagens do livro são bem simples, sem muitas camadas, a Marina é um moça que doce, que luta pelos seus sonhos e que faz tudo pela família, o Frederico se parece muito com ela, mas tende a ser inconsequente quando faz de tudo para proteger o irmão Leandro. Dois pontos me incomodaram nos dois primeiro a mocinha é a típica que se doa demais ao relacionamento e por isso nem sempre tem pulso firme em suas decisões e o Leandro em diversos momentos faz comentários machistas. Por falar em machismo temos em diversos momentos uma pontinha dele na narração, como o caso da Liss ser tratada como uma piranha por já ter ficado com vários e o Leandro ser apenas o cara terrível que faz sucesso com a mulherada. Ou também no caso da Liss não ser uma mulher para namorar, por causa do seu comportamento e a Mariana ser a garota perfeita para isso.

Mas quero que fique claro que não achei o livro mal escrito, esses pontos que me incomodaram são coisas que 90% dos livros do mesmo gênero tem o mesmos pontos que não me agradam. Logo, acredito que eu não sou o público desse tipo de leitura, não funciona para mim, por isso não gostei de "Aos Teus Pés", mas uma pessoa que é fã desse tipo de literatura com toda certeza vai se apaixonar pela estória de Mariana e Fred. Fora que eu estava vivendo uma ressaca literária depois de "O Exorcista" que pode ter prejudicado na minha leitura, mas como disse livros assim não tendem a me agradar, não foi apenas o livro da Michelle.

Espero que a resenha não seja interpretada como um ofensa, pelo contrário, acredito que a autora tem potencial e que com o tempo suas estórias vão ficar ainda mais bem construídas. Como já disse ela escreve bem, o problema durante a minha leitura foi mesmo não ser o meu perfil.

Até o próximo post!
Agora que sou crítica - Design e Desenvolvilmento por Lariz Santana