23 abril 2016

Não sou bela, nem recatada, muito menos do lar.

E em meio a crise política e econômica em que vivemos no Brasil, a maravilhosa revista Veja vem o discurso de que Marcela Temer é uma primeira dama ideal por se Bela, Recatada e do Lar. E claro, que em pleno século XXI, em que mulheres saem para trabalhar, estão em cargos que antes eram ocupados exclusivamente por homens, votam, tem o próprio dinheiro e são livre para ter a vida sexual e amorosa que bem entender, que isso ia ser um título extremamente infeliz. Uma enxurrada de protestos povoaram a internet e o problema não foi ser bela e recatada, ou até mesmo do lar, foi achar que isso transforma ela em uma mulher melhor.


Por plena física quântica ou apenas questão de destino eu estou lendo "Nunca julgue uma dama pela aparência", um romance de época que vai contar a estória de Georgiana, filha de um duque que tomou decisões erradas e acabou sendo desgraçada. A jovem se apaixonou e acabou engravidando de um homem que a abandonou, ela então resolve abandonar a sociedade e tomar as rédeas de sua vida, cria um clube privado em que os segredos são sua moeda de troca e que ela controla todo homem apenas com mentiras e dinheiro. Por ser mulher ela utiliza de dois disfarce para controlar este império de Chase, o homem dono de todo império, e Anna, a prostituta de Chase. No mais, a estória vai mostrar que Georgiana enquanto a jovem desgraçada só tem o escárnio da sociedade e quando é Anna ou Chase ela tem poder, ela prefere a vida dúbia por ser senhora de sua vida, mas se sente pressionada a casar com um nobre para que sua filha seja digna de respeito na sociedade. Apesar de ser uma estória de ficção, o livro me foi muito oportuno neste momento, porque ela não pode ser a mulher que usa calças, comanda um cassino e detém poder sob todos os homens, porque ela é mulher. Acho que Georgiana nunca iria estar na capa da Veja.


Pensando na polêmica Marcela Temer e na estória de Georgina me peguei imaginando que nunca também iria estar estampada na capa de uma revista com os dizeres Bela, Recatada e do Lar, afinal, desde novinha odiava brincar de dona de casa, enfrentava os garotos que tentava me diminuir por ser menina e sempre briguei pelas regras que me empunham, tipo usar meia calça para parecer uma mocinha. 


Além de Georgiana na literatura temos diversas mulheres que fogem dos padrões, e que eu particularmente sou fã. Temos Scarlett O'Hara, de "E o Vento Levou", que teve que tomar as rédeas da sua casa e enfrentar a todos para sobreviver durante a guerra. Vinda da Terra Média, Éowyn, de o Senhor dos Anéis, se disfarça de homem e vai para a batalha. Minha querida Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, que se recusa a casar se não for por amor e que não acredita que uma mulher deve ser prendada, ao invés, de inteligente. Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, que fez o papel de pai e foi a heroína de Peeta Mellark. Em As Crônicas de Gelo e Fogo, que tem diversas personagens femininas que fogem do padrão, Cersei, Arya, Brienne, Daenerys, Ygritty, todas no meio daquele jogo de poder. Por fim minha preferida, Lisbeth Salander, da trilogia Millenium, que é inteligente e forte, que resolve seus problemas sem precisar de nenhum herói. Todas essa mulheres nunca estariam em uma capa da Veja, mas foram donas de várias páginas de livros famosos.


Então garotas que não são belas, nem recatadas e muito menos do lar, não se sintam diminuídas por não serem "dignas" de uma capa da Veja, porque um dia essa revista não vai ser nada, enquanto mulheres fortes, participativas, políticas e independentes vão estar marcadas na história, com ou sem vestidos até os joelhos.


Até o próximo post!

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